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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Está na Bílbia...

Para reinaugurar o blog, que estava pra lá de largado, venho com uma crítica de Fim dos Tempos, novo filme de M. Night Shyamalan. Segue:

Deus, porque eu? Porqueporqueporque porqueeeeee? O que eu te fiz de mal? O que foi que eu fiz para merecer isso? O que? Diga, diga! Oohhh o horror... o horroooooor... não existe piedade neste mundo cão!

Não, mas, falando sério - não vá assistir a esse filme.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ando pensando sobre coincidências criativas.

Tudo começou num belo dia em que descobri que Johnny Depp, o ator que chamo de meu, que resistiu aos pôsteres da adolescência e virou o preferido desde sempre...Sim, ele, sonha em interpretar o pintor Salvador Dalí, que possessiva, também ouso chamar de "meu preferido".

E aí me peguei ponderando sobre as ironias criativas que formam nosso gosto. Sabe aquelas ligações bizarras que te levam a crer que de alguma maneira, todas as nossas preferências se conectam, mesmo que não tenham nada a ver?

Se você não entendeu nada, nem precisa continuar, acho mesmo complicadíssimo de explicar. Só sei que o querido Depp está em busca de um roteiro sobre a vida do pintor espanhol. Segundo o tablóide The Mirror – você acredita neles? – o ator estaria desesperado para interpretar Dalí. Até agora nada, mas a predisposição existe.

Aí tá...Estou escrevendo esse texto e me deparo com outra notícia surreal : Al Pacino – também na lista dos preferidos- está filmando Dali & I: The Surreal Story, de Andrew Niccol, que deve estrear em 2009. Adivinha quem ele será?

Agora só falta me dizerem que Alice no País das Maravilhas vai ser filmado por Tim Burton.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Sobra talento, falta risco

A esta altura da carreira de Tim Burton, ele já deve ter percebido que enfrenta a bifurcação fundamental: tornar-se grande ou permanecer apenas estabelecido? Perguntassem minha opinião há dez anos, eu apostaria que ele escolheria a primeira. O sujeito criou um estilo cinematográfico seu, se arriscando em obras como Edward Mãos-de-Tesoura, Ed Wood e, em menor grau, até Batman.

Mas hoje eu tenho dúvidas. Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, deixa bem claro o porquê. Parece que, desde A Lenda do Cavaleiro Sem-Cabeça, Burton não se esforça muito em inventar, ou expandir as barreiras do que já criou. Contenta-se em brincar de reencontrar sempre os mesmos enredos, os mesmos espaços, tudo igual.

A história é conhecida. O barbeiro Benjamin Barker (Johny Depp) é enviado para uma prisão por um juiz inescrupuloso (Alan Rickman) que quer por as mãos em sua mulher. Após 15 anos, ele foge, e parte para vingar-se do vilão, montando uma barbearia sobre a loja de tortas da viúva Lovett (Helena Bonham Carter), que prepara suas receitas com carne do corpo das vítimas.

O maior diferencial sobre tantos outros filmes do cineasta é o fator musical. Aqui os personagens cantam seus feitos e sentimentos. Mas, bem ao tipo Burton, não seguem a cartilha Cantando na Chuva, e sim uma faceta mais operesca, com canções que não soam bonitas nem dão vontade de assoviar. Como musical, o filme não funciona bem, mas as músicas são importantes, sim, para o resultado final.

Depp – indicado ao Oscar – parece no mesmo automático que o diretor. Não canta bem, é fato, mas também não investe nada diferente do que a história propõe. É como se confiasse demais em Burton, assumindo alguns erros sem filtrá-los. Mas longe do elenco estar mal. Rickman segue sempre competente e Bonham Carter merece mais holofotes por criar a personagem mais cheia de nuances. Chega a dar pena das más escolhas da viúva.

Não é péssimo. A direção de arte, aliás, segue belíssima como em todos os filmes de Burton. Mesmo as cenas mais sanguinárias e violentas são lindas de ver. O único problema é que, por regra, este se tornará apenas mais um em sua filmografia. Mesmo pra escrever esta resenha, tive que abrir a Wikipédia para conferir qual foi mesmo a ordem dos últimos três filmes dele. Eles ficam cada vez mais parecidos – ricos demais no visual, fracos demais no emocional. É fácil notar que ele não corre mais riscos com o que faz. Isso pode ser ótimo do ponto de vista comercial, mas é sempre ruim da perspectiva artística.

Eu sempre sinto um pouco de tristeza ao ver um grande talento se desperdiçando.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Cloverfield

Eu gostei de A Bruxa de Blair, principalmente pelo ponto-de-vista da câmera. Espécie de "cinema-verité", legal. No estranho caso dos jovens que filmam florestas, se perdem e encontram a casa da bruxa, o componente terror é o que movia o filme. Mas era um terror sem CGI, "das antigas", diriam alguns. Ainda não havia visto esse mesmo "gênero subjetivo"- se é que podemos chamá-lo assim - numa perspectiva mais emocionante, até que vi Cloverfield.

O longa traz a experiência de filmes de monstro sem esbarrar em Godzilla (graças a Deus). A catástrofe de Roland Emmerich trazia o monstro japonês destruindo a cidade de Nova York numa trama pastiche com um Matthew Broderick pateta (sempre, não?) e Jean Reno repetindo pela quadragésima vez o papel do policial francês com sotaque arrastado. Lembra dos ovos no Madison Square Garden e as aparições absurdamente "mágicas" do gigantesco monstro de dentro de prédios? Melhor esquecer...

E é o que Matt Reeves, o diretor, nos propõe. Esquecer de Godzilla. Produzido por J. J. Abrams (produtor de Lost), Cloverfield é bem objetivo: somos apresentados a esta filmagem, dizendo que foi encontrada no lugar que antes fora conhecido como Central Park. O que se segue é a "apresentação" dos personagens: Rob (Michael Stahl-David) está num dia maravilhoso com Beth (Odette Yustman), em abril. Ele curte bastante o dia com a "ficante". Corte. É maio e Lily (Jessica Lucas), namorada do irmão de Rob, Jason (Mike Vogel), prepara a festa de despedida de Rob, pois ele vai morar no Japão. Talvez Beth venha. Quem fica a cargo de "documentar" as despedidas de cada um é Hud (T. J. Miller), que é o personagem que leva a câmera por todo o filme a partir de então.

E é aí que tudo acontece: sem maiores truques, as luzes se vão, todos se apavoram, uma grande explosão envia fragmentos pelo ar e há correria no maior estilo "11 de Setembro". A impressão é de que tudo está se repetindo. Subitamente, cai a cabeça da Estátua da Liberdade na rua do apartamento de Rob. Mais correria e um vulto gigantesco é visto derrubando prédios. E todos decidem pegar a ponte do Brooklyn para fugir de NY. E é essa a nossa história. Reeves conduz a história a partir do registro seco e direto de uma camcorder, sem delongas, mostrando uma perspectiva realista de um ataque de um monstro a uma cidade grande como a Big Apple.

A sensação de quem assiste, obviamente, é de participar do caos instaurado por toda a parte. Não obstante, a ameaça imposta pelo bicho é muito grande. Ele parece invulnerável e ainda expele pequenas "partes" (chamemos assim). No meio de tudo isso, os amigos decidem salvar a Beth-amada-de-Rob, que liga desesperada em seu celular. E estamos tão tomados por tudo aquilo que não pensamos no mais óbvio: não rola salvar. Não rola ir pelos túneis do metrô. O filme absorve o espectador de tal forma que só vamos pensar nisso depois.

Reeves utiliza a parafernália toda para ajudar a contar a sua história: perda de foco, câmera deixada em algum lugar, visão noturna, tremores... O ponto-de-vista em primeira pessoa é eficiente ao instalar o terror das situações e pega o espectador pela garganta. A tensão é a de viver aquele momento. De ir junto com os personagens sem ter a chance de fugir. Não há como. O filme propõe a jornada e o espectador vai.

Agora, não vá esperar por reflexões e tensões dramáticas. Também você, que gosta de fotografia apurada e inteligente, esqueça. Aqui não se trata de ângulo, mas da falta de. E é maravilhoso ver que temos câmeras indestrutíveis e com um poder de captação de som e ruídos extremamente equiparáveis às aparelhagens de cinema. Mas não devemos levar isso em conta. É filme de entretenimento, bem-feito e, ainda bem, não quer a todo instante abusar da inteligência do espectador. E temos a sensação de que, se fosse verdade, não seria nada além daquilo. Ninguém teria uma grande visão da vida ou faria uma alegoria sobre a condição humana. No final, é caos e sobrevivência.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Não há como parar o que está por vir

Javier BardemÉ difícil não sair desesperançado do cinema após a sessão de Onde Os Fracos Não Têm Vez. Isso porque o título se faz regra. O mundo, cada vez mais, não é para fracos. Pior ainda se você levar em conta que o oposto dessa fraqueza é personificada por Chigurh, personagem de Javier Bardem. Um assassino frio, louco e indiferente ao sofrimento. O mal encarnado que, cada vez mais, projetamos nas histórias que ouvimos por aí.

A premissa é simples como qualquer mola motora dos filmes dos irmãos Coen. Llewelyn Moss, um pacato veterano do Vietnã vivido por Josh Brolin (seu segundo grande papel deste ano), encontra uma mala com dois milhões de dólares em meio a uma mal-sucedida negociação de drogas. Ele decide ficar com o dinheiro, o que sela seu destino – pois Chigurh já tinha tomado a mesma decisão. É o xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) quem tenta dar um fim a trilha de cadáveres que só aumenta.
Josh Brolin
Chigurh é determinado como um pesadelo. Sua primeira cena – sufocando um policial até a morte – deixa bem claro quem é o sujeito e do que ele é capaz. E também já garantiu o Oscar de ator coadjuvante neste ano, certamente. Seu contraste com Llewelyn nos faz até ter pena por este último. Que chance ele tem? Talvez se Ed Tom conseguir salvá-lo a tempo... Mas este, tão reticente e assustado com o mundo, nós dá a face de homem comum frente ao horror. Ele parece evitar o confronto o tempo todo, ciente de que é muito pequeno para parar “o que está por vir”. Ainda assim, não consegue deixar de sofrer.

A direção nada menos do que genial dos irmãos Coen cede um ritmo brilhante à narrativa. Eles entregam uma tensão cavalar ao longo de toda a projeção e, ao contrário de qualquer expectativa, nunca a liberam. O filme termina tão tenso quanto pode, sem oferecer qualquer alívio. Isso não apenas ao negar o clímax da história, mas construindo tudo através de ações abruptas e realistas, abrindo mão até de música na trilha sonora. O espectador fica à mercê, assim como os personagens. Nada pode ser feito.

Tommy Lee JonesA síntese do genial está na última cena. Quero rever o filme apenas para prestar maior atenção ao discurso de Ed Tom, que, ao descrever um sonho, também descreve o sentimento de todo homem frente a um mundo fora de controle. Lee Jones, perfeito em sua entonação e ritmo, parece querer fugir pra algum lugar distante. É difícil para o público não querer ir com ele. Onde está o final feliz? Onde está a paz? Estava ali, tão próxima. Dava até para sentí-la. Mas ai... ai eu acordei.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sexo entre caramujos

Fotos de Isabella Rossellini (que só perde em beleza pra mãe dela) fantasiada de inseto:


Eu acho que é bem mais divertido sem explicação. Mas, para quem quiser saber, as fotos são de uma série de curtas dirigidos por ela e exibidos no Festival de Sundance. Green Porno é sobre sexo entre insetos. E para deixar tudo bem claro, ela introduz cada um dos filmes fantasiada como inseto em questão. Sempre no papel do macho e sempre durante o ato de reprodução. Ta, agora fez mais sentido?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

One woman show

Na mitologia grega, Juno era a esposa de Zeus, símbolo do matrimônio e da fidelidade - e do ciúme. Também era o símbolo da fertilidade. E talvez por isso a roteirista Diablo Cody (que pseudônimo!) tenha pego o gancho e feito a história da adolescente Juno McGuff, uma jovem muito consciente que engravida e decide dar o bebê para que um casal o adote. A história de Juno é essa, simples, ponto.

Fazia muito tempo em que eu não assistia a um filme adolescente com substância. E americano, ainda por cima. Geralmente, os roteiros desses filmes retratam adolescentes com pais desajustados ou ausentes, são problemáticos na escola, nenhum de seus relacionamentos vai para frente, são irresponsáveis e a lista se prolonga. Não é o caso. Juno tem pais presentes e conscientes, é uma ótima aluna e é incerta de seu relacionamento, o que é próprio da adolescência. Mas nada que a desestabilize ao contrário de muita gente considerada "adulta". É neste âmbito em que a garota descobre estar grávida, aos belos e floridos 16 anos. E Diablo Cody é inteligente o bastante para não fazer disso um drama açucarado. Pelo contrário, aqui é a comédia que reina. Comédia inteligente! É demais para o meu cérebro conjugar os conceitos, não pode ser: cérebro + risadas = teen movie, jamais! Mas é o que acontece.

Cody entrega um roteiro com piadas memoráveis sem necessitar do fator "corpo". A única coisa que muda no filme é o tamanho da barriga de Juno. Nada mais. Nenhuma parafernália, gags, trombadas... A diversão vem da situação em que a protagonista se encontra. Seu diálogo é estilizado, sim, mas as garotas de hoje são muitíssimo articuladas, com milhões de idéias e referências a cada frase, portanto, está OK.

Jason Reitman, o diretor, alinhava as cenas sem malabarismos. O estilo de direção é clássico, sem maiores delongas ou pretensões e o ritmo é leve, pois Reitman sabe que uma comédia precisa disso e entrega o timing perfeito para. Seu apuro foi na escolha do elenco, que parece estar em estado de graça. J. K. Simmons (o J. Jonah Jameson de Homem-Aranha) e Allison Janney como os pais de Juno são a personificação dos pais que todos gostaríamos de ter tido. Michael Cera (de Superbad) é o responsável pela sementinha geradora do embaraço todo, o "quero-ser-namorado-de-Juno" contido e engraçado. Olivia Thirlby é a amiga inspirada que solta frases de efeito a cada cinco segundos. O casal que quer adotar o bebê é composto por Jason Bateman (que eu considero passável, não gosto dele) e Jennifer Garner em ótima atuação (acho que foi a primeira vez que a vi tão completa e entregue a um papel).

E, para terminar as honras, Ellen Page, a protagonista. Descontraída, sem poses, de uma leveza absurda e sem nenhum histrionismo nem mesmo quando as cenas são mais dramáticas, Page é o atrativo do filme. Não foi à toa que foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Ellen segura todos os 92 minutos de película nas costas. Consegue ser divertida, sem ser apelativa. Consegue ser uma adolescente em crise sem extravagâncias. Consegue construir uma Juno tão palpável que dá vontade de gerar uma igual agora mesmo. De opinião formada (e que opinião!) e consciente de seu mundo ao redor, Ellen consegue passar credibilidade com a menina que está grávida, está apegada ao bebê, mas disposta a doá-lo por saber que tem apenas 16 anos e não tem estrutura psicológica ou financeira para tê-lo.

Em épocas de dramas pesados como Sangue Negro, Onde os Fracos Não Têm Vez e Desejo e Reparação (na corrida pelo Oscar), é uma grata surpresa que este exemplar também concorra com as densas películas na mesma competição com o selo "comédia indie" (o que também aconteceu com o igualmente surpreendente Little Miss Sunshine). Mas ao contrário deste último, é Ellen Page quem deve faturar. Mesmo por cima de Julie Christie. Olho nela!

P.S.: A musiquinha do final do filme se chama Anyone Else But You e é lindinha. Se tiver dúvida em assistir, baixe e ouça. Ou veja no vídeo abaixo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Quando Ridley Scott se esforça

É capaz de passar despercebido pelos cinemas, dada a leva de coisas dispensáveis do Oscar chegando. Mas, se puder, não dispensa a chance de assistir O Gângster, não. O filme é ótimo. Primeiro, porque é adulto... E você sabe como anda difícil encontrar filmes de gente grande hoje em dia, com idéias complexas e construção que não ofende o seu bom senso. E segundo porque é digno dos grandes policiais dos anos 70 (ave, Serpico).

Traz Ridley Scott no seu melhor (sério, você até o perdoa por Um Bom Ano, Falcão Negro em Perigo e Gladiador... esse último, talvez não), contando a história real de Frank Lucas (Denzel Washington), negro que desbancou a máfia italiana em Nova York nos anos 60 trazendo heroína pura direto do Vietnã (com a ajuda do exército norte-americano, aliás). O contraponto está no detetive Richie Roberts (Russell Crowe), que se torna chefe do departamento de investigações especiais e segue à caça de Lucas enquanto se depara com a máquina da corrupção policial da época.

O elenco coadjuvante é brilhante (Josh Brolin principalmente), e a direção de arte também. O ambiente setentista é recriado sem clichês, com a apropriação que só poderia ser feita por alguém que realmente se educou no cimena da década. Ao contrário do também ótimo Zodíaco, que mais emulava os filmes de então, este não abandona novas inventividades em favor do passado. É uma mistura muito boa dos filmes de investigação da época, mas com narrativa acelerada contemporânea.
É longo, com duas horas e meia, mas vale o tempo. Certo que o final acelera para passar por cima da prisão de Lucas e seu trabalho em conjunto com a polícia – o que desperdiça a chance de mais cenas de Denzel com Crowe – mas tudo bem, pois isso fortalece ainda mais o jogo individual até ali. Crowe, acredite, até parece um cara legal e suportável no filme. Agora, o Denzel, nem vale a pena desperdiçar palavras... Cada cena deixa você hipnotizado, enquanto ele faz o que bem entende. Digno de Pacino.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

My spoon is TOO BIG!

Rejected é um curta metragem animado do genial Don Hertzfeldt que concorreu ao Oscar em 2001, perdendo injustamente. Nada mais apropriado para reforçar o tema do filme.

Sério: uma das coisas mais engraçadas já escritas (inglês é fundamental pra entender).

No cinema, o trabalho não é do ator (!!!!!!)

Brincadeira, é sim. Mas o que me faz pensar nisso são as diversas declarações de diretores dizendo que, a montagem, na verdade, é do que o cinema é feito. E nada mais. Atuações podem ser melhoradas com a montagem, o ritmo, cenas mal-feitas e tudo o mais. E sabe quem escreveu sobre isso em seu blog? Fernando Meirelles.

Filmando Blindness (adaptação de Meirelles para o romance de José Saramago, Ensaio Sobre A Cegueira), Meirelles cita no último post, de 21/11/2007 (atualiza aí, Meirelles!) algo muito interessante para atores em geral. Transcrevo (mas o post inteiro vale a leitura e a visita do blog todo!):

(...) se você pensa em seguir a carreira de ator eis o melhor conselho que posso dar: suborne sempre o montador. Leve chocolate, flores se for uma montadora, até um vinho mais caro se seu trabalho estiver realmente fraco. Há um milhão de maneiras de melhorar uma atuação na montagem. Nos momentos mais vergonhosos pode-se cortar para a cara do outro ator evitando o vexame, uma fala mal falada pode ser regravada e usada com a imagem do ator de costas e daí para frente. É muito fácil tapear o espectador (sinto muito) e confesso que tenho um certo prazer quando consigo fazer isso sem deixar marcas da trapaça. Mas neste caso, conforme o previsto, não precisaremos usar estes truques sujos, nosso elenco é muito consistente. (...)

No final, Meirelles diz que pode sempre salvar alguma cena ruim do filme colocando um close de Julianne Moore. Foda, hein? Isso é um elogio do cacete para qualquer ator. Ah, e Meirelles diz que Mark Ruffalo se culpa demais, dizendo que TODAS suas cenas são ruins, sempre. E Gael García Bernal faz piada disso.

Já falamos do blog de Blindness aqui e aqui também...

P.S.: A foto acima foi retirada do blog do filme e foi tirada pela atriz Yoshino Kimura quando a equipe de Blindness filmava em São Paulo. Aliás, atrás de Ruffalo, está a "paisagem" do Rio Pinheiros.

P.S.2: Meu próximo post é sobre o DELICIOSO filme
Juno (Ellen Page arrasa!).

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Eterna luta

Tenho uma admiração de longa data por Werner Herzog. Não apenas sua obra, mas também sua fascinação pela relação do homem com a natureza. O homem pequeno, que explora novos mundos, mas é incapaz de conviver com a sua própria origem selvagem. A natureza nem chega a ser vilã, pois tem apenas total indiferença e descaso. Ela o engole, sem nem notar.

E esse é o centro de O Sobrevivente – atualmente nos cinemas, talvez por mais uns dias, se tiver sorte –, história baseada no documentário Little Dieter Needs to Fly (1997), do mesmo cineasta. Ambos contando o fato real de Dieter Dengler, abatino no Vietnã em seu primeiro vôo. Feito prisioneiro por meses enquanto planeja sua fuga, em meio à floresta densa, ameaça ainda maior que os vietcongues.

Caso não conheça Herzog, é importante saber: ele é maluco. Não apenas em sua visão cinematográfica, como David Lynch, nem só excêntrico, como Lars Von Trier. Herzog é completa e totalmente doido. Ele já levou atores à depressão e apontou um revólver para que protagonista terminasse uma cena à força. Ele não quer apenas atores, quer pessoas que vivam os personagens. Sem dublês, sem estúdios, sem ensaios, sem marcas.

O efeito é sempre interessantíssimo. Principalmente com Cristian Bale assumindo a liderança do filme. Ele toma o título de um dos maiores atores de sua geração, colocando-se em situações de exaustão física, risco de vida e tensão psicológica. Tudo sem sair do personagem ou sem abandonar o esforço. A jornada de Dieter se torna real, quase um novo documentário, este mais íntimo. Pouco se explora de seu psicológico ou emocional, mas suas ações dizem tudo e, principalmente na maneira como são feitas.

Todo o elenco de apoio é genial. Do sempre estranho Jeremy Davies (fazendo de trunfo sua magreza) até o surpreendente Steve Zahn, além do reconhecível. Imersos nas locações e situações, estão alheios às câmeras. Envolvem-se em improvisações de deixar perplexo, seja conversando sobre comida ou retirando sangue-sugas do corpo. Em close.

Verdade que os cinco minutos edificantes do final parecem fracos frente à força selvagem dos anteriores. Mas só em comparação. Ali fica exposta apenas a homenagem rasgada e declarada de Herzog por Dieter. A fascinação pelo homem que enfrentou a luta mais pessoal de todas, e escapou com vida.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A gente sempre precisa de amor

Um desejo quase infantil me move a assistir musicais. É aquela vontade de acreditar que as pessoas podem realmente estar andando na rua mau-humorados com suas pastas executivas e de repente começar a cantar canções em uníssono, rodopiar e dançar coreografias extremamente complexas como se isso fosse o caminho natural da vida. É inocente.


Entretanto, quando abandono meus desejos primários, percebo que um bom musical precisa mais do que passinhos ensaiados e gente com voz bonitinha cantando. Também vai além do videoclipe e das canções-tristes-para-momentos-tristes e das felizes-para-momentos-felizes. Dá sim para fugir disso, brincar muito com as imagens e até experimentar novas maneiras de transpor a vivacidade do parágrafo acima sem cair na mesmice. O problema é que poucos diretores tem colhões para tal.

Julie Taymor, diretora de Across the Universe, parece ter inicialmente tentado provar que um musical bem feito poderia ter muita experimentação visual, porém, o resultado final parece provar que os estúdios sempre tem a palavra final. O que é triste, porque potencial o filme tem. Mas vamos começar pelo mote: Beatles.

A trilha sonora é inteirinha composta por músicas do quarteto e cantadas (mal) pelos atores. Agora tente imaginar este samba do criolo doido: o longa tenta acompanhar a discografia, a trajetória pessoal, o posicionamento deles no contexto da época, as situações memoráveis pelas quais eles passaram, mas sem representá-los fisicamente. Linke tudo isso a uma história de amor fictícia, cujo os personagens levam o nome das canções mais famosas. Um trabalhão do cacete e o filme ainda tenta enfiar Jimi Hendrix e Janis Joplin, como um casal pseudo-fofo. Over.

A tal história de amor é sobre Jude (Jim Sturgess), um garoto inglês, que vai morar nos Estados Unidos e curte o clima efervescente dos anos 60. Enquanto muitos jovens estão se engajando contra a Guerra do Vietnã e outros sendo convocados à lutar de fato, Jude se mantém alheio e entra de cabeça na paixão por Lucy (Evan Rachel Wood). Como você já pode prever, rola aquela dificuldade básica de ficar juntos (ou não poderiam tocar All You Need Is Love quando tudo se ajeita).

Não se pode esperar veracidade de um musical, mas também não dá para ficar forçando situações só para poder encaixar as canções e seus respectivos temas. Não gostei de Strawberry Fields Forever e odiei muito Dear Prudence. Hey Jude é óbvia, assim como Revolution, Across The Universe e All You Need Is Love, que não poderia deixar de ser fofa e edificante. Porém, I Want You (She's So Heavy) e I’ve Just Seen a Face são ótimas. Fora as participações especiais. Bono, tão envelhecido que eu quase não reconheci, Joe Cocker, caracterizado de mendigo e Salma Hayek, amiga da diretora, como uma enfermeira sexy.

Peca pelo psicolodelismo clichê em muitas cenas e é bem previsível em outras. Poderia ser melhor? Sim. É o melhor musical que já vi? Não. Vale a pena assistir? Sim. Nem que seja só pelo gostinho de ver uma concepção diferente para as memórias afetivas que todos nós temos para as músicas dos Beatles. Ah, e dá sim vontade de sair sapateando pela rua. Não me culpe, sou só uma menininha!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Dentes

Não é uma comédia. É um terror. Porque a garota tem dentes... Só que lá em baixo, sabe? E isso pode soar como comédia para uma mulher. Mas definitivamente soa como puro terror para qualquer homem. Abaixo o trailer do independente Teeth, nem que só pela curiosidade mórbida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Bela porcaria

Tive dois sustos com a adaptação de O Amor nos Tempos do Cólera. O primeiro veio da inacreditável ruindade da coisa. O segundo veio das críticas que achei na internet, todas favoráveis. Fiquei duvidoso. Eu não entendo mais de cinema? A falta de tempo para assistir coisas novas nos últimos meses pode ter me emburrecido para a sétima arte. Como os calos dos dedos que vão embora quando você pára de praticar violão.

Então, deixe-me rever mentalmente, com calma. O roteiro é relativamente fiel ao enredo original, mantendo toda a linha mestra e principais personagens. Muitos dos diálogos estão lá, só que em inglês e com sotaque porto-riquenho. Lembro que a história progride com saltos bruscos e personagens desaparecem sem qualquer explicação, assim como outros surgem como em prestidigitação. Por volta de dois quartos na exibição, o protagonista começa a narrar a história, do nada. A princípio como se estivesse falando para outro, que aparece subitamente. Depois, para o espectador, mas sem se dirigir diretamente a ele.

Notei que a direção de arte é criativa, com cores quentes dos figurinos aos cenários. Mas tudo permanece absolutamente igual durante 55 anos, mesmo passando por guerras. As maquiagens, por outro lado, são horríveis. O jovem Florentino está tão maquiado para parecer uma versão adolescente do Javier Barden que mal consegue mexer o rosto. Já a versão velha de Juvenal Urbino tem cola seca ao redor de toda a boca pra manter o cavanhaque.

A fotografia, se me recordo, tem uma ou duas sacadas boas, mas no resto resume-se a closes fechadíssimos dos atores e ângulos repetidos à exaustão, como nas cenas que mostram a feira, sempre em uma diagonal superior. Tem também as transições terríveis que antecipam a cena seguinte ou entram sempre (sempre) com um som alto.

A trilha com violas e violões, em clima bem latino, pontua o que é triste, quem é mal, quem é bom e quem está feliz. O vilão entra, acordes graves, a mocinha se apaixona, violinos. Shakira gritando aqui e ali.

Acho que já não sei mais nada. Javier Barden adota uma interpretação contida de detalhes, bem pensada, mas pouco elaborada. Ele já parece agir como velho quando ainda é jovem. Giovanna Mezzogiorno é uma péssima Fermina Daza, inexpressiva, velha demais quando jovem e jovem demais quando velha. Fernanda Montenegro, nacionalismos à parte, supera o inglês quebrado e ganha espaço com talento. Sua Transito nem precisava aparecer tanto, mas acaba muito bem-vinda.

Revendo, assim, não parece mesmo tão desastroso. Teve gente que até saiu do cinema chorando. Acho que eu estou precisando é assistir mais novela e ler mais Sabrina.

+
Agora, o trailer é bom, isso eu admito.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Heroísmos

O maior problema e o maior mérito de Tropa de Elite são o mesmo: é um filme perigoso. Uma narrativa muito inteligente e convincente, mas sobre uma postura condenável. A história sobre a guerra (como é descrita) do BOPE contra o crime e o tráfico no Rio de Janeiro é contada do ponto de vista do batalhão. Logo, tortura, mortes e abuso de poder são maus necessários.

Até aí, não seria motivo para acusar o filme de panfletário. O que realmente pega é que ele é muito bom. Um título de ação bem construído, com personagens e ações se amarrando em uma trama elaborada a caminho de um desfecho à altura da expectativa que cria. É difícil a platéia desatenta perceber que o ponto de vista apresentado é um só.

Tudo é feito para que o capitão Nascimento seja o herói que é. Ele narra o filme com uma bússula moral rígida em um mundo onde a corrupção é de praxe. Suas ações são sempre amparadas por um desejo de retornar ao lar, em uma vida de paz com sua família. Ele até salva dois rapazes da morte certa e oferece abrigo em uma instituição acima de qualquer suspeita.

A genialidade se mostra, mesmo, no terceiro ato. A narrativa de luta contra o crime ganha a faceta de filme de vingança. Os vilões são estabelecidos, os heróis assumem a responsabilidade de fazer a limpeza e a platéia, claro, embarca. Terrivelmente convincente.

Tecnicamente, o filme tem falhas. Soa quase monocórdio com sua câmera estilo documental durante toda a narrativa. Não há alívio e, por isso, a impressão é que nem mesmo a casa de Nascimento é o refúgio que ele diz ser. A narração do capitão é excessiva e circula em repetições já no segundo ato, mas se torna importante para pontuar a opinião de quem realmente está contando a história.

Wagner Moura, no que pode ser o seu melhor papel, convence do sotaque carioca às crises de pânico. Suas afrontas aos moradores na favela, com olhar fixo e voz acusatória, são típicas de um psicopata e, ainda assim, conseguem fazer seu discurso moral parecer correto.


Mas o destaque cai sobre André Ramiro (Matias). Seu personagem se transforma de maneira sutil ao longo da história. Somente quando chega ao lado oposto do espectro é que notamos a transfiguração drástica pela qual passou. E, vendo sua chegada ao lado considerado “seguro” da lei, quando finalmente é exposto à prova que definirá seu caráter dentro da sociedade, Matias não hesita muito na escolha. E o resultado é o que se vê: o cano de uma arma calibre 12 engatilhada e apontada sem remorso para a cara de cada um na platéia.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Grande Chefe

Em geral, as pessoas têm medo dos filmes do Lars Von Trier porque ou eles te fazem chorar como um idiota (vide Dançando No Escuro), ou te fazem sentir se sentir um idiota (vide Os Idiotas), ou te fazem pensar que realmente deveríamos matar todo mundo que é idiota (vide Dogville e Manderlay) ou então nos faz pensar como somos realmente idiotas e ainda rimos por isso, que é o caso de O Grande Chefe.

O apelo do filme é fácil e na mão de qualquer diretor americano se transformaria em um desfile de clichês do gênero. Mas Von Trier não é desses. Ele mexe com o roteiro a serviço de sua história e não da platéia. Vamos à história, pois. O presidente de uma empresa de Tecnologia da Informação, Ravn (Peter Gantzler) contrata um ator, Kristoffer (Jens Albinus, de Os Idiotas), para se passar pelo presidente na frente dos 6 gerentes da empresa. Isso se dá porque Ravn necessita fazer decisões impopulares, entretanto, eles nunca viram o presidente e Kristoffer vem para fazer a "intermediação". Coitado.

Acontece que Trier, como faz com todos seus heróis, coloca o protagonista em uma série de situações limítrofes até atingir o clímax e o que acontece faz a platéia rir, porém não da típica farsa hollywoodiana repleta de besteirol e piadinhas mal-intencionadas. Vemos, na verdade, uma comédia muito céfala. Há um humor negro impregnado em tudo o que ocorre e o próprio Grande Misantropo faz questão de narrar desta vez o filme, mais uma vez caracterizando seu efeito de distanciamento cinematográfico "a la Brecht", criando o viés político que, desta vez, é bem menos envernizado do que os filmes já-citados acima. Menos envernizado porque falamos de uma empresa que, naturalmente, rescende a cheiro de Palácio de Planalto, com os joguetes de corrupção de todas as verves, sejam elas nas relações, nas finanças, no corporativismo...

A frase "Em todo lugar tem disso", típica de conversas de corredor de escritório entre funcionários insatisfeitos, poderia ser evocada como o mote principal. Afinal, a podridão do ser humano se revela mais cáustica quando há dinheiro e relações de poder em jogo. Até aí, tudo ótimo. Trier demonstra com eficácia. Não bastasse isso, o protagonista ainda tem de segurar nas mãos os problemas individuais não-resolvidos com o real presidente da companhia. Kristoffer, na pele do presidente, quer fazer sua arte, interpretar um personagem e utilizar a oportunidade como um meio de expressão, porém ele não esperava que iria encontrar personalidades tão estranhas quanto distintas. Como a secretária que recebia e-mails do presidente dizendo que se casaria com ela. Ou o funcionário que tem uma agressividade contida e que é libertada quando se fala da temperatura. Soma-se o clima frio-ostensivo da Dinamarca e o branco e o cinza persistentes das instalações da empresa e o que temos uma enclausurada "família" desajustada que necessita de cuidados.

Rir neste caso é conseqüência dos acontecimentos e reviravoltas tão similares aos dos dia-a-dias corporativos. Como chegar em um dia e ter que lidar com picuinhas e avisos de redução de salários e, em outro, discutir como será feita a fusão/venda da empresa e sentir-se sempre na corda bamba. Até aí rimos da nossa incapacidade de estender a mão. Mas daí a rir porque somos idiotas só este mestre dinamarquês sabe. Dá até para desejar que todos os chefes assistam e, quem sabe, de repente, talvez, doravante, por um milésimo de segundo, consigam entender a boçalidade de si mesmos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Ano do Brasil no Oscar

Acaba que o indicado brasileiro para concorrer a uma vaga no Oscar é O Ano Que Meus Pais Saíram de Férias (a Tsuji resenhou aqui). A indicação é justa? Sim, é justa. É filme com criança, histórico, tem tema mais-ou-menos universal e não é muito pesado. Detalhes que qualificam-no, quem sabe, até a levar a estatueta.


As apostas estavam em Tropa de Elite, mas pelo que dizem por aí - filme violento, acusável - seria um tiro no pé. Se Cidade de Deus não levou, não é outro assim que leva.

Gostei muito de Saneamento Básico, mas acho que a escolha de Ano... seria a minha, também. Da lista de possíveis indicados, é o mais regular e despretensioso, além de ser muito bem filmado e escrito. Agora vamos ver no que dá. Até porque eu não sou do tipo que torce pra filme nacional em competição, especialmente se os concorrentes forem melhores.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

É assim que o mundo acaba

Richard Kelly escreveu e dirigiu Donnie Darko (2001), filme próximo do genial sobre a juventude e a necessidade de encontrar o seu lugar no mundo ao entrar na fase adulta. Com um clima nostálgico oitentista e temas complexos de física quântica e existencialismo mesclados com cultura pop, Darko não se tornou um sucesso cinematográfico, mas virou cult, alçando de vez Jake Gyllenhaal para a fama.

Foi o primeiro filme de Kelly e já era pretensioso demais para uma estréia. Para o segundo, mais. Escalou comediantes e atores de segunda linha para protagonizarem um drama/ficção científica/musical/comédia. Ninguém sabe direito sobre o que trata Southland Tales, e o trailer é tão complexo que mais confunde do que esclarece. “Os cientistas descobriram que o futuro será muito mais futurístico do que eles imaginavam”, diz a personagem no vídeo.

Uma prévia dele (80% pronto) foi exibido em Cannes no ano passado, e a crítica desceu a lenha. Desde então, a estréia foi adiada, ele foi retrabalhado e um novo financiamento foi feito para garantir que os efeitos especiais fossem completados – quem assistiu Donnie Darko sabe que, para Kelly, os efeitos realmente são necessários para contar a história.

A estréia nos EUA finalmente será em novembro. Darko só saiu aqui em DVD (beeeeem pobre), esperamos que o destino de Southland Tales não seja o mesmo. Kelly é um diretor que vale a pena, mesmo que só pela curiosidade. Abaixo, o trailer.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Cegueira

Não sei se você sabe, mas o Fernando Meireles está adaptando O Ensaio Sobre a Cegueira, do Saramago. É uma co-produção Brasil-Canadá, filmado metade em São Paulo metade em Toronto. É a primeira vez que o autor português libera os direitos de uma obra sua para adaptação cinematográfica.

Não tem que se preocupar. Se Meireles fizer por Cegueira o que fez por O Jardineiro Fiel, certamente será um filme lindo. O processo pode ser acompanhado, em parte, através do blog que o diretor montou. Atualiza sem muita freqüência, mas mata a curiosidade. Já dá pra saber, por exemplo, que Danny Glover será o Velho da Venda Preta.

Agora vamos lá, ver como pode ficar um filme quase impossível de se fazer, onde todos os personagens não enxergam nada durante a história.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

America's favorite family

Como a representante da geração mais nova do Teatro Insano, estou aqui neste post desempenhando um papel fundamental que, num blog de dicas, toques e reflexões culturais como este é essencial. SIMPSONS!

Ok, ok. Nem eu que sou dessa geração que já assistia com 15 e ainda não parou mesmo com 19, nunca fui de ficar acordada até tarde pra ver Simpsons após o programa do Jô da Globo. Motivos à parte, fui assistir. Achei que seria muito mais nonsense do que foi. Com muito mais críticas fantasiadas de ironias do que eu imaginava ver e acredite, ninguém com menos de 16 anos na sala lotada.

Segundo especulações o filme tomou cerca de 3 anos para ser produzido e já era pensado a muito tempo. Bilheteria esperada e confesso que das 6 pessoas que encontrei por acaso na fila do cinema, as 6 iam Simpsons. Se o objetivo é rir e se sentir surpreendido por um filme leve e engraçado, tope a parada com seu melhor amigo.