A idade da peça ele sabe, mas e a do filho?
Se bem que, levando em conta que a dedicação educativa de Caruso poderia transformar seu filho em uma versão humana de Trair e Coçar É Só Começar, até que valeu a pena.
Não sei se você sabe, mas o Fernando Meireles está adaptando O Ensaio Sobre a Cegueira, do Saramago. É uma co-produção Brasil-Canadá, filmado metade em São Paulo metade em Toronto. É a primeira vez que o autor português libera os direitos de uma obra sua para adaptação cinematográfica.
Não tem que se preocupar. Se Meireles fizer por Cegueira o que fez por O Jardineiro Fiel, certamente será um filme lindo. O processo pode ser acompanhado, em parte, através do blog que o diretor montou. Atualiza sem muita freqüência, mas mata a curiosidade. Já dá pra saber, por exemplo, que Danny Glover será o Velho da Venda Preta.
Agora vamos lá, ver como pode ficar um filme quase impossível de se fazer, onde todos os personagens não enxergam nada durante a história.
Em: Cinema, Internet, Literatura
Eu sei que a modéstia do nosso companheiro o impede, então eu faço a parte. Uma acalorada discussão está rolando na resenha da Bacante feita pelo Valmir para o espetáculo José e Seu Manto Technicolor (que eu não vi e não gostei).
Não sei o porquê dessa mania de familiares, amigos, fã-clubes de grupos de teatro defenderem tanto uma peça resenhada. Uma espécie de contra-ataque raivoso só porque alguém não gostou do que viu. Se o espetáculo do seu amigo/filho é ruim, não sofram por isso. Aceitem o mal-feito. Aceitem o ruim, minha gente. O ruim é belo, o ruim é lindo.
Com bons contatos que passam horas na internet você descobre maravilhas. A novidade de hoje é um site do que você quer fazer com o resto da sua vida. 43 desejos mais especificamente. Cadastrando-se você pode listar 43 desejos que você quer realizar antes de morrer e ver quantas outras pessoas tem o mesmo desejo que você.
A parte mais divertida são as dicas que o site dá pra você conseguir realizar cada desejo e quantas pessoas já conseguiram aquela determinada ou semelhante vontade com depoimentos. E a parte mais engraçada é a lista de desejos do que as pessoas no mundo todo querem fazer. "Get married, stay married and live happily ever after", "be more confident" são as primeiras no momento.
A minha primeira vontade "learn ballet" tem outras 234 pessoas com a mesma vontade. Semana que vem, data escolhida por mim, eu vou receber um e-mail no endereço cadastrando me lembrando dessa vontade e de não esquecer de realizá-la antes de morrer.
Eu não pensei em 43 ainda. Tente lá, é mais prazeroso saber que ainda tem muita coisa pra se fazer nessa vida, do que dá pra imaginar. Mais outros 43 motivos pra não morrer logo.
Uma bobagenzinha criativa: Eu sei, o Cristo Redentor foi eleito uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, mas foi só ontem que eu vi a campanha Borba Gato, o Bagulho Maravilha. Uma dessas maluquices que surge quando se junta pessoas com bom humor, nenhum senso de patriotismo (com razão!) e o ator e escritor Paulo César Peréio. Tá certo! A palhaçada em torno dessa bendita eleição do Cristo foi um saco mesmo. E intervenções criativas são sempre bem vindas!
"Nosso Colosso de Rodes enfrentou carrapatos, mosquitos, sanguessugas, na saga dos emaranhados silvícolas da nação brasileira. O orgulho de São Paulo, mais bonito que Brasília. Olha só como ele brilha! É o nosso redentor! O Bagulho maravilha!"
Por Fernanda Tsuji às 17:53 0 insanos
Em: Artes Plásticas, Internet, Vídeos
Nicholas Gurewitch é um dos cartunistas mais engraçados do mundo. É dele o Perry Bible Fellowship (em inglês), site de tiras. Seu estilo varia de história para história, sempre em favor do conteúdo. O humor geralmente é negro, doido e universal. Muitas tiras não tem nenhum texto. Dá pra passar horas rindo com o arquivo. Atualiza (quase) toda quarta.
Neste sábado sai do ar o NoMínimo, site que fez pela internet brasileira o que a Piauí está fazendo pelas revistas nacionais. Não será o primeiro fim dele, que antes da bolha era o No., mas é provável que num retorno - se houver - jamais seja o mesmo.
O brilhante Tutty publica um texto de despedida do site que fez muita gente (como eu) ter esperanças no jornalismo:
"Em dois anos, a primeira revista eletrônica brasileira sem base de papel nas bancas, sonho de uma turma cá pra nós já meio velha para se aventurar na imprensa alternativa, estava reduzida àquele grupo de jornalistas experientes reunidos tardes a fio em volta de uma cafeteira velha esquecida na redação-fantasma que ocupava meio andar do imponente prédio da Academia Brasileira de Letras, no Centro do Rio. Rir pra não chorar."
O fim do carnaval. Enfim, o hiato dos Los Hermanos se confirmou no último show na Fundição Progresso, no Rio, neste fim de semana. Os fãs devem ter chorado, urrado, lavado à alma. Pelo menos era assim que eu sempre saia dos shows da banda e olha que nem era o derradeiro.
Emocionadas são as lembranças do tecladista (ex, agora) Bruno Medina em seu blog Instante Posterior, que mantém no G1. Medina, rapaz sempre tão dado às letras, tenta transpor o que foi a última apresentação , mas acaba relembrando a trajetória da banda. Do começo ao fim.
E o engraçado é a identificação que causa. As fitas cassetes demo, desenhadas uma à uma, a luta para achar um xerox mais barato para imprimir os encartes, a delícia de conseguir tocar para mais do que 50 pessoas. Aquela coisa de começo de carreira, sabe? Do montar e desmontar dos equipamentos em tempo recorde, colocar tudo no carro e torcer para que na semana seguinte tenha mais público.
E o texto vem numa hora tão propícia, junta com o turbilhão de pequenas batalhas que o Teatro Insano está passando. Este fim de semana, por atrasos que independeram ao grupo, nossas apresentações foram bem agitadas. A correria para montar luz, cuidar da bilheteria, maquiar, alongar, montar palco, aquecer, mudar cena, cuidar dos pormenores que são sempre infinitos em dia de espetáculo. E era banco, com escada por cima, ator se aquecendo no meio, flores despedaçadas, chão sujo, fantasmas e nervosismo. E ainda por cima, estar inteiros no palco.
Invés de rezar, cantei: "como pode alguém sonhar / o que é impossível saber / não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer". E aí vem a epifania, quase programada: estar em cena é isso aí. Entramos desconcentrados sim, afinal não é fácil conseguir pensar em tudo, mas estávamos quentes, latentes. O espetáculo nos sorriu de volta e o jogo cênico aconteceu. O importante é se divertir.
"Uma vontade de olhar para o que passou e para o que ainda está por vir com igual peso". Assim Medina termina seu texto, otimista. Eles deixaram de carregar caixas, mas nunca se esqueceram do peso. De alguma maneira isso acalenta o nosso futuro, se nele um dia chegarmos. Por enquanto, ainda seguimos estourando músculos e arrastando caixotes nos teatros por aí. Será que um dia...?
Mais dois links pros seus favoritos (e pro nossos):
Eu trabalho o dia todo dentro da redação. A tv fica ligada bem atrás da minha cabeça e sempre em programas ruins. Até tentei gostar do Myspace, podcasts, mas com o tempo enjoa e eu fui parar, junto com todos os meus amigos, no famoso Pandora. Com o perdão do trocadilho, uma caixinha de música.
Se você estava em Marte ou coisa do tipo, trata-se de uma "rádio" onde você pode escutar seus artistas preferidos e outros similares a ele, criando uma setlist só sua. Na minha tocava de Smashing Pumpkins à Roberto Carlos e todos conviviam pacificamente. Só que há três semanas atrás, recebi um comunicado do site.
"Acreditamos que você está no Brasil, e nós estamos muito, muito tristes em dizer que, devido à restrições de licenciamento, nós não podemos mais permitir acesso ao Pandora para a maioria dos ouvintes localizados fora dos EUA."Great....
Mais um para a série de sites criativos... Little People. Personagens pequenos vivendo numa Londres perigosa. As fotos são tão detalhistas e criativas, que você fica se sentindo otário por não ter tido uma idéia tão legal e tão simples.
Porque todo mundo já se sentiu uma formiguinha em terra de gigantes.
Por Fernanda Tsuji às 19:24 1 insanos
Em: Artes Plásticas, Internet
Como responsável pelo site do Teatro Insano - e mais um bom bocado por aí - sei o quanto é complicado fazer um espaço legal e sem exageros na internet. E, mais complicado, que tenha ar de novidade.
Eu, que sou adepto da simplicidade, adorei o site da escritora e atriz Miranda July, feito para divulgar seu novo livro, No One Belongs Here More Than You. Se as histórias forem tão boas quanto a idéia do site... (em inglês).
Em: Internet, Literatura
+ Interessado em zapear outros blogs por aí? Alguns blogs em especial tem endereços mil para visitar. Um deles é o do dramaturgo Mário Bortolotto, com uma porção de links para visitar. Neste blog, Bortolotto divulga uma série de shows de bandas de amigos, de peças de amigos, as suas peças e quando tem alguma polêmica rondando o Cemitério dos Automóveis (ou outros grupos), ele fala sem travas nos dedos também. Além disso, datas comemorativas fazem parte de seu "alvo", vide a Sexta-Feira Santa. Há uma série de blogs de atores que você pode acessar via o Atire No Dramaturgo. Faça um teste e navegue.
+ Do site do Bortolotto, um curioso é o site do cartunista Caco Galhardo. Diferentes cartuns de Galhardo, como o Júlio e a Gina, Chico Bacon e algumas dicas. Visita boa.
Em um boteco de São Paulo, Selton Melo tenta convencer Seu Jorge que todos os filmes de Quentin Tarantino são, na verdade, um só. Esse seria o grande segredo do cineasta, o "código Tarantino". Seu Jorge está mais interessado em saber se Selton consegue algum código para desbloquear seu Playstation.
O curta Tarantino's Mind, dirigido pelo coletivo 300 ML e produzido pela Republika Filmes, foi exibido na abertura do Festival do Rio de 2006. E alguém finalmente colocou no YouTube. Muito engraçado, é melhor ainda para fãs do cineasta americano.
Toda vez que entrevisto algum artista aqui para a revista, faço a clássica pergunta: Você gosta de cinema? Sonha em fazer algum dia?. E a resposta é sempre a mesma: A-do-ro! Já fiz diversos filmes... Pois aí eu te pergunto, se todo mundo adora e todo mundo já fez, porque o panorama do cinema brasileiro me parece tão escasso? Onde essas dezenas de longas e centenas de curtas foram parar? Uma semaninha de exibição no Unibanco ou no HSBC e adeus.
Se for da Globo Filmes até dura mais do que uma semana, mas o público é exatamente o mesmo que acompanha as novelas e vão ver os filmes somente como uma extensão do que já vêem na telinha. Nesse caso, não faz diferença ser cinema ou não, entende? Desde que tenha a Juliana Paes ou o Lázaro Ramos (óteeeemo, mas que já deu, né?). E são milhões de Reais gastos ao léu pela Ancine e cia. com películas e ousadias cinematográficas que ninguém vai ver, mas que todo mundo se vangloria de ter feito. E as coisas realmente boas e criativas também se perdem no buraco negro do cinema nacional e você acaba sem nunca ter visto filmes bacanas que jamais sairão em DVD.
E para os que insistem na procura por produções nacionais, a dica é o manjado, porém utilíssimo Porta Curtas, da Petrobrás. Por lá você encontra desde curtas estranhíssimos do insano diretor Nilson Primitivo, até os ótimos, porém batidos curtas de Jorge Furtado, como Ilha das Flores (obrigatório!).
Aliás, descobri o site quando meu namorado antenadíssimo me apresentou o soturno curta Império das Pelúcias, do Primitivo, com (pasme!) Rodrigo Amarante do Los Hermanos e sua esposa Karine Carvalho (que acaba de estrear o filme Brasília 18%). Enfim, um site para fuçar naquelas horas vagas em que o trabalho está um tédio.
Agora a pergunta que não quer calar: O Cheiro do Ralo vale os milhões gastos nele? Assista e me responda você.
Como uma pequena ferida na pele, tentando liberar a imensidão de sangue que corre nas veias. Deve ser por isso que sou uma comunicadora, self-called journalist. Uma vontade de falar, falar, falar sobre tudo. Dessa vez, vou me render às famosas listinhas à la Nick Hornby.
Dois filmes toscos
- Anjos do Sol (2006) - Dirigido por Rudi Lagemann, o filme foi o grande ganhador de Gramado de 2006. Apesar do mote bacana da história, o filme erra já na primeira cena. O ótimo Chico Diaz encarna um "recrutador de putas" que dói de tão caricato. Óculos grossos, paletó acima do tamanho, tropeçando nas próprias pernas e ainda por cima gago. Acho que vi um personagem assim no filme do Castelo Rá-Tim-Bum! Sabe aquilo que, no teatro, a gente foge igual diabo na cruz? Estereótipos, pois é. E o filme é cheio deles. O cafetão gordo, folgado e beeem malvado. A puta revoltada, a puta boa, a puta triste. Só se salva a meio novata Mary Sheila. Enfim, bomba de primeira qualidade. Alguns diretores brasileiros falam com tanto preconceito das novelas, investem em fazer um produto refinado e competitivo no exterior, mas tudo que conseguem é ser um folhetim. E dos mais baratos.
-Casa do Lago (2006) – Refilmagem do coreano Siworae, o filme insiste na combinação Bullock-Reeves para encantar os americanos. Cheio de cortes, parece um clipping de imagens tolas. Entendo a dificuldade de passar uma história oriental, sempre tão cheia de sutilezas e características próprias, para um roteiro americanizado, sempre tão cheio de imagens óbvias e signos fáceis, mas tudo tem limite. Se é para fazer mal feito, melhor esquecer o roteiro e partir para Miss Simpatia 3.
Um absurdo
Alguém ouviu falar aí da Conservapedia? Pois sim, parece piada, mas é a versão cristã do Wikipedia. Um grupo da direita religiosa norte-americana decidiu criar o site por achar que as respostas do Wiki eram muito liberais e pouco cristãs. O site conta com mais de 4000 verbetes e o layout é exatamente igual ao seu antagonista. Exemplinho básico: no verbete homossexualidade consta (em inglês):
"Levítico 20:13 - Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles."
Óteeeemo, hein?
Como já mencionei noutro post sobre as conseqüências da internet (ter praticamente qualquer coisa para baixar de graça), vou aproveitar para fazer um complemento. E este é para aqueles que só não baixam filmes na internet com medo de serem processados (em dólares).
O Public Domain Movie Torrents oferece arquivos de centenas de filmes para download. O melhor é que todos são de domínio público. Pode pegar sem dor na consciência. Tem clássicos desde A Pequena Loja dos Horrores (1960)
, de Roger Corman - com um Jack Nicholson ainda novinho - passando por The Last Man on Earth (1964), com Vincent Price, e o meu favorito: A Noite dos Mortos Vivos (1968), terror de crítica social de George A. Romero.
Procurando direitinho você acha até curtas metragens com Buster Keaton, a estréia de Jane Russel no cinema em The Outlaw (1948), de Howard Hughes e todos os episódios da série original do Flash Gordon (1936). São várias as versões de definição, incluindo para iPod e PSP. E se você não quiser fazer download, é possível assistir no próprio site, num esquema meio You tube. Melhor que isso, só em DVD.