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quinta-feira, 20 de março de 2008

Sô e Só

Um dia eu fui estúpida. Achei que era só de talento, dom ou qualquer coisa abstrata que se construía uma atriz. Aí, descobri que isso atendia por outro nome: prepotência. O palco também pode ser a terra dos tolos, dos desavisados, dos egoístas, dos preguiçosos e sim, dos prepotentes. E eu não quero me sentir à vontade na pele de nenhum dos citados.

Mas é onde me encaixo. Com consciência do erro. Me falta disponibilidade, me falta estudo, me falta técnica, me falta experiência, me falta, me falta... e o incompleto, que vivia na parte sombria, começou a atrapalhar a parte iluminada que ainda restava.

Aí a cena não saia certa, o personagem não caminhava com as próprias pernas e eu me arrastava. Soma-se a isso um processo colaborativo complicado, uma peça ainda sem fim, uma personagem com fé. A fé que eu não tenho, nem nunca tive. O engraçado é que bem no comecinho, eu me orgulhava de enxergar a personagem. Acho que me perdi pelo caminho. Aí bate o desespero.

Como tu quer sabê o caminho, se não sabe nem para onde quer ir?

No raso você tem vontade de desistir e correr para borda de novo. Andar na terra, no chão que você conhece. Mas aí você se envergonha de ser covarde. E isso não! Medo é diferente de covardia. Mas o que acontece quando você sabe tudo isso e ainda assim não tem para onde ir? Aí, amigo, você cai. E se machuca feio.

Cheia de cicatrizes, é assim que eu escrevo esse texto. Nunca foi tão difícil criar. Nunca. Mas bater nas minhas limitações, me fez ter asco de ficar parada, deitada, criando escaras. Me levantei da cama e abri a janela. Estudar, ler, me manter aberta, engolir a seco, ter medo, mas não ser covarde. Bonito na teoria, mas na prática é preciso esforço. Você acha que consegue? Experimenta.

Acende a vela. A fúria explode em lágrimas, fungadas e face triste. Errado. Melodramático. Mas incrivelmente é daí que surge a luz. Tão óbvio, tão descarado que se fosse mais claro, te mordia na cara: O seu dilema é o mesmo que o da personagem. O B tinha me dito, eu sei. Se ela não se acha, você não se encontra. Perdida estamos nós duas. E o fim, agora já sabemos. Aceitar.

E eu só quero crescer

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Novidades teatrais

Agora já dá pra falar oficialmente àqueles que tanto perguntam “quando sai a peça nova?”. Estamos em estágio avançado de desenvolvimento de dois (sim, 2) novos espetáculos.

O primeiro (e maior) deles recebeu o nome, por enquanto provisório, de Lonjura. Sua criação está acontecendo coletivamente, mais ou menos como nos moldes do Amores Dissecados. O processo, porém, segue por uma linha completamente diferente e trata de assuntos um pouco mais específicos. É, sim, uma peça colaborativa, por isso vai levar a assinatura de todo mundo que acrescenta ao caldo. Estamos trabalhando na criação já há mais de um ano e nos aproximando cada vez mais do produto final.

O segundo, mas não menos importante, chama-se O Tempo Que Ficou. Uma peça que contará com Fernanda Tsuji e Valmir Júnior no elenco. A direção está a cargo do ilustríssimo Marcos Lemes, comandando o texto escrito por eu mesmo e com iluminação de Leandro Pardí. É um projeto muito legal (modéstia às favas) sobre o qual você irá saber mais muito em breve. Esperamos colocar o pé no palco com este ainda neste primeiro semestre, não sem antes divulgarmos a exaustão.

A partir de agora, tentaremos manter uma atualização mais freqüente dos processos aqui no blog. Algumas fotos de ensaio podem sem encontradas no nosso novo fotolog, sempre atualizando. E o que não contarmos, por enquanto, é segredo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Como é grande o meu amor

Nossa primeira participação nas Satyrianas (se digo "primeira" é porque espero por outras) foi ótima. Nossa lotação para 40 pessoas teve que ser um pouco ampliada para dar lugar a 50 espectadores. Uma pena foram os outros 12, que ficaram do lado de fora.

Se a temporada de junho/julho de Amores Dissecados no Espaço dos Satyros Dois já havia sido muito boa, essa apresentação única no espaço Um foi ainda mais especial. Ali, em plena efervescência da Praça Roosevelt, com tantas opções de espetáculos gratuitos (incluindo aí o Dramamix), essas pessoas optaram por saber mais sobre esse tal amor, que não está no coração, no cérebro, nem no fígado. "Está no espírito", disseram. Isso só dificulta mais a busca.

Agradecemos muito ao Satyros pelo convite, além de parabenizá-los por essa incrível movimentação que criaram, realmente sem igual. O mérito é todo deles, a gente só aproveitou o holofote aceso pra contar algumas histórias. Esperamos ter agradado.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Amores nas Satyrianas!

Quem ainda não sabe, fica sabendo. O Teatro Insano participará das Satyrianas, neste final de semana. O evento, que contará com mais de 80 horas ininterrúptas de espetáculos, já é um dos maiores acontecimentos teatrais do país (mundo?).

Apresentaremos Amores Dissecados às 16h do domingo, em versão similar a que pôde ser conferida em nossa temporada de junho/julho no Satyros Dois, mas com as devidas modificações para o novo local de apresentação, o Espaço dos Satyros Um.

A entrada é moleza, você paga quanto puder. Ou, nas palavras de nosso integrante Giancarlo, "pague o máximo que puder". Incentivar a arte nunca é demais.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Panorama

Nem parece que é tanto, mas o Teatro Insano está se movimentando bastante...

Primeiro, o edital do PAC, do governo do Estado de São Paulo, nos colocou pra mexer e fazer tudo, desde orçamento até concepções de cenografia, figurino... O edital pede bastante coisas e, se tudo correr bem, teremos subsídio para levantar a peça baseada no universo do escritor Guimarães Rosa. Essa, aliás...

Essa está correndo. A dramaturgia agora está a cargo do venerável Alberto Cataldi e os trabalhos de cada um em prol de sua personagem estão se tornando bem mais interessantes. Os monólogos propostos pelo nosso diretor, Marcos Lemes, tornaram-se grande ajuda para a construção dessas personagens que antes eram apenas sombras. E o universo criado por nós toma uma consistência nunca antes vista e atingida.

Fico feliz pela solidez do nosso trabalho. Fico feliz pela maturidade criativa. Fico feliz por nosso vôos além.

Agora, ainda tem o edital do Centro Cultural São Paulo para colocarmos o Amores Dissecados lá e, quem sabe, o A Distância De, nome provisório desse espetáculo gestacional. E já teve a maturação do agora real Motocontínuo Produções que, a meu ver, vai ter muito a fazer daqui para a frente.

Que venham mais desafios!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Posso abrir?

"Eu tenho tanto pra te falar....", e os primeiros versos da canção do Rei vieram cortantes, direto no peito. Amor pode não doer, mas terminar a temporada de Amores Dissecados doeu. Muito. Como nunca antes. Ontem foi o último dia. A gente se apega, depois fica difícil ir embora.


A cada troca de roupa eu sentia uma pontadinha, a cada BO, um pedacinho indo embora. A cada levantar da cadeira, um pesar que ficava enterrado pra sempre naquele porão. A cada grito, um pouco de mim perdendo-se ali. Deve ser por isso que os fantasmas não vão embora. É aquela vontade de se agarrar ao que você gosta muito.

Tantas coisas deram erradas. Calça e camisa esquecidas, vestido perdido, foto que desaparecia, garrafa derrubada. Flores entregues em cena, gritos, muito gritos. Carros quebrados, guinchos, baratas, espinhos de rosa cravados na palma da mão. Dias ruins (que ninguém é de ferro), incensos queimados, público frio, atores frios, erros, gaguejadas, Claras trocadas por Fernandas. Dor de barriga, luzes acesas quando se buscava a escuridão. Escuridão quando se buscava luz interna.

Muita coisa acontece em dois meses. De nascer a morrer, a gente viveu. E pra um grupo novo como o Teatro Insano, tudo é aprendizado. No final, depois que o desespero passa, tudo vira piada. E orgulho também. Que a gente sabe que não é fácil. Sair do ABC, ir pra festival, fazer nome, conquistar....é quase desbravar! Mas sonhamos grande. O Satyros foi a conquista merecida, a vontade de ir além, a certeza de que trabalho de verdade traz retorno.

Encrustradas. Cada uma das 18 apresentações grudadas na memória. E todas as dificuldades do terceiro parágrafo, viram só lembrança boa, que me custa muito deixar pra trás. Combinada com as conversas se maquiando, se aquecer dividindo canções, a cumplicidade de cena (e fora dela), o depois do espetáculo, as mãos apertadas no escuro. O último abraço na cochia. Apertado, choroso.

Quando a luz acendeu, as palmas carregavam uma certeza cega de que dá para ir mais longe se a gente quiser. Depois de dois anos fazendo essa peça, eu sei que não foi a última temporada, mas algo mudou.

Hoje sobra a ressaca artística. Que venham as próximas temporadas, as próximas peças, as próximas, as próximas...Mas agora, me dá licença, que vou ali vivenciar o luto.

"Lua vai..."

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Minuto-a-minuto

Os mais atentos podem ter notado este símbolo ao fim da barra à direita. significa que agora o Motocontínuo tem suporte Feed, ou seja, você pode cadastrá-lo no seu programa de RSS favorito e saber quando o blog foi atualizado. Nem precisa ficar dando F5 aqui, o tempo todo. E nós temos certeza que você faz isso, doido pra ver nossos posts assim que eles saem. Bem, agora é só assinar clicando lá.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Nossa temporada de Amores

O mês de Julho entrou e a gente nem notou. De repente, no borderô do final da apresentação de domingo lê-se "Dia: 1 de Julho" e descobre que agora só faltam quatro finais de semana.

Invadir São Paulo é tarefa difícil mais absurdamente prazerosa. Cada sábado, cada domingo. Cada arrumação de mala, cada vez que liga-se o ferro de passar roupas pra encontrar o figurino de cada personagem e aprontá-lo para mais um dia. A gente se acustuma e tudo vai ficando mais fácil. Os horários, a correria, o público simpático, as danças saudosas.

Surpresa a cada domingo, motivação a cada sábado. Cada arranhão no joelho, torção no pulso, espinho no dedo que deixa a marca pro resto da semana lembrando que ter vida de ator é assim, algumas decisões em cena não são decisões nossas at all. Elas saem, assim como as apresentações ás vezes não são nossas, elas vão, mais fortes do que o nosso desejo de modífica-las no meio do caminho. Mas é o ver "mover" que nos transporta com adrenalina até o próximo final de semana.

E de repente não se espera nada do público, porque não é necessário esperar. Trabalho de estar em cartaz é receptivo-ativo, e não há pressão que nos impeça de ver como a relação ator-público, espetáculo-platéia aconteceu naquele dia. E a gente sai de lá três quilos mais leve pelo trabalho realizado e três quilos mais pesado pela vontade de se comprometer a sempre voltar.

terça-feira, 12 de junho de 2007

O que 3,5 milhões de pessoas não viram

Fomos resenhados na bacana revista Bacante (que, na verdade, é um site. Quem diria!). O texto é da Juliene Codognotto e ela aproveita para registrar como foi a nossa apresentação pós-maior manifestação pública de orgulho GLBT do mundo. Texto legal que você lê clicando aqui.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Um século, um mês

O fim do carnaval. Enfim, o hiato dos Los Hermanos se confirmou no último show na Fundição Progresso, no Rio, neste fim de semana. Os fãs devem ter chorado, urrado, lavado à alma. Pelo menos era assim que eu sempre saia dos shows da banda e olha que nem era o derradeiro.

Emocionadas são as lembranças do tecladista (ex, agora) Bruno Medina em seu blog Instante Posterior, que mantém no G1. Medina, rapaz sempre tão dado às letras, tenta transpor o que foi a última apresentação , mas acaba relembrando a trajetória da banda. Do começo ao fim.

E o engraçado é a identificação que causa. As fitas cassetes demo, desenhadas uma à uma, a luta para achar um xerox mais barato para imprimir os encartes, a delícia de conseguir tocar para mais do que 50 pessoas. Aquela coisa de começo de carreira, sabe? Do montar e desmontar dos equipamentos em tempo recorde, colocar tudo no carro e torcer para que na semana seguinte tenha mais público.

E o texto vem numa hora tão propícia, junta com o turbilhão de pequenas batalhas que o Teatro Insano está passando. Este fim de semana, por atrasos que independeram ao grupo, nossas apresentações foram bem agitadas. A correria para montar luz, cuidar da bilheteria, maquiar, alongar, montar palco, aquecer, mudar cena, cuidar dos pormenores que são sempre infinitos em dia de espetáculo. E era banco, com escada por cima, ator se aquecendo no meio, flores despedaçadas, chão sujo, fantasmas e nervosismo. E ainda por cima, estar inteiros no palco.

Invés de rezar, cantei: "como pode alguém sonhar / o que é impossível saber / não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer". E aí vem a epifania, quase programada: estar em cena é isso aí. Entramos desconcentrados sim, afinal não é fácil conseguir pensar em tudo, mas estávamos quentes, latentes. O espetáculo nos sorriu de volta e o jogo cênico aconteceu. O importante é se divertir.


"Uma vontade de olhar para o que passou e para o que ainda está por vir com igual peso". Assim Medina termina seu texto, otimista. Eles deixaram de carregar caixas, mas nunca se esqueceram do peso. De alguma maneira isso acalenta o nosso futuro, se nele um dia chegarmos. Por enquanto, ainda seguimos estourando músculos e arrastando caixotes nos teatros por aí. Será que um dia...?

quinta-feira, 7 de junho de 2007

No músculo oco do coração

Pra você que ainda está em dúvida para assistir Amores Dissecados, este post pode ajudar. Em agosto do ano passado participamos do XI FESTIL de Pindamonhangaba (terra tão frutífera). Ganhamos sete prêmios, incluindo o primeiro lugar de espetáculo adulto. O juri, formado por praticantes e interessados em Teatro, produziu uma belíssima resenha na noite de nossa apresentação. Foi a seguinte:

"Como uma proposta fragmentada pode nos levar à catarse? Poderíamos nos debruçar sobre a literatura e passarmos horas divagando nas infinitas possibilidades ou então sermos arrebatados pelo espetáculo Amores Dissecados. E porquê?

1. Um trabalho sério de pesquisa artesanal, sincero, ora denominado teatro colaborativo, que se concretiza a partir da generosidade dos integrantes da companhia: atores-técnicos-diretores-dramaturgos.

2. Tratando do tema 'Amor' sem as pieguices, com a justa dimensão da tragédia, sugerindo imagens que comungam/dialogam com o público. Ressalte-se nesse aspecto que, na apresentação de hoje, uma platéia descompromissada e que ainda assim se rendeu às armadilhas do amor.

3. Um elenco afinado, com interpretações precisas, condizentes com a partitura de um 'spalla' ou desconcertantes como os dribles de 'Garrincha'.

4. Uma direção na consciência de 'nós', alicerçada pela parceria com os intérpretes-criadores, que pelo que nos parece, abrem mão de uma estética pessoal em benefício do coletivo, sem impôr o ritmo industrial que a arte contemporânea se meteu. Pelo contrário, com a paciência de quem espera o momento certo para a obra desabrochar.

5. Uma sonoplastia tirada do baú, que surge como se nunca tivesse envelhecido. Essas verdades cantadas tocam na alma e doem absurdamente no cotovelo. Somente sendo brasileiro para saber o que é sambar com a nostalgia, amor não correspondido/concretizado, ou ainda batucando no músculo oco do coração. Ou quem sabe remexendo nos amores dissecados.

Assinam os jurados

Fábio Mendes
Feu de Andrade
Márcio Douglas"

terça-feira, 5 de junho de 2007

Amor é assim, alegria, tristeza, tudo repetição do mesmo princípio...

O fim de semana durou um ano. Estreamos no último sábado (dia 2) e tudo era extremamente reluzente. Divulgação a postos, como nunca havia sido feita antes em dois anos de peça. Apostamos alto, angariamos fundo, entramos para mudar o jogo. E estávamos exaustos sim, mas a expectativa era muito maior do que todo o resto. As luzes afinavam, enquanto a maquiagem preenchia as imperfeições e a caneta deslizava nas costas do ator.


Não era a primeira vez, sabemos, estamos calejados, vividos de Amores e ainda assim, crus, porque cada segundo é novo quando se está jogando. E no meio de todas aquelas sensações repetidas, você entende o porque continua fazendo isso sem ganhar um tostão, se desdobrando em dois trabalhos, querendo sempre ir além. Queríamos um prêmio? Ganhamos. Queríamos temporadas? Conseguimos. Queríamos ir pra São Paulo? Cá estamos. Difícil não ficar feliz com o que conseguimos, difícil também querer parar por aqui, achar que está bom. Nunca está. Se deu alguma coisa errada? Sempre dá. Cabeçadas no escuro, nervosismos à parte, cenas ralentadas, e vamos seguindo. A graça é ir consertando as imperfeições, buscando aquilo que não existe.

Talvez fosse só paixão...

A taça levanta, os panos vermelhos prendem, o guarda-chuva abre. E no fim as palmas, as críticas, as risadas no camarim de alívio. No dia seguinte começa tudo de novo. Estamos em cartaz. Passa lá.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Amores no Mix Brasil

Uma reportagem muito legal sobre o espetáculo saiu no site Mix Brasil. O texto enfoca o lado dos relacionamentos gays mostrados na peça. Muito bacana. Para ler, dê uma clicada neste link.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

quinta-feira, 17 de maio de 2007

JGR

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." JGR
Pegue ali a faca e segure firme, que o que vem da vida dá apenas duas escolhas: usá-la em outros ou usá-la em si. Claro que há o meio caminho, que é mais desistir do que deixar para lá, largar da faca e manter-se puro. Mas não dura, porque não é de verdade. É acreditar que há uma faca apenas, e você apenas, com a única faca de lutar. Sua faca também é a luta dos outros, também com a escolha do talvez enfrentar. E se ninguém ousa na luta, permanecem de mãos limpas, uma hora a vida alcança, e alguém decide enfrentar. Daí é como dominó em fila, não tem peça ou pessoa que resista. A vida empurra, e você vai lá.

Destino não é ruim ou bom. Destino é um só. E a força do homem não está no enfrentamento, mas no abraçar. Porque todo homem é menor do que a vida, e não perceber isso é o mesmo que não viver.

Guimarães sabia. No sertanejo, o eterno conflito do homem universal, o único conflito de verdade por ser o único que realmente importa. O que já derrubava imperadores na mitologia romana e transformava homens em animais na mitologia oriental, no coração do Brasil acontece diariamente. A pureza é corrompida pela realidade. Há uma força maior. Deus, natureza, instinto, genética, determinismo. O futuro é aquele. O que fazer?

É então que o pequeno homem frente à imensa vida se dá conta: virá. E é de cada um lidar com sua pequena linha na trama do universo. Há quem lute, tente mudar. Há quem se entregue, e vá. Há quem questione, aprenda. Há quem abandone, não compreenda. Há quem cresça, ascenda aos céus. Há quem caia ao inferno, perda-se dos seus. Mas nada muda, afinal, ele ainda é pequeno. É peça no tabuleiro de um jogo que não é seu. Tem que fazer o que fará porque é como é.

E, em meio às questões que o cercam, fica perdido em suas dúvidas do saber. Não se vê envolto pelo turbilhão – pois o tudo é maior – que, ao fim inevitável de sua jornada, o deixa ainda menor. Daí a melancolia, a tristeza. Ficar cada vez mais ínfimo no mundo das inevitáveis certezas. Há de ser forte, enfrentar. Que, no fim da jornada, se não tiver entendido, de nada valeu. Erguer-se. Coragem não se ganha, coragem se toma.

O matador mata, a mãe alimenta, a bruxa enfeitiça, o namorado ama, o tempo passa, o pai trabalha, o juiz pune, a chuva molha, deus sabe, a criança brinca, a viúva chora, o destino escraviza, o dia passa.

Tudo é como tem que ser. Mas perde-se quem se prende ao porquê. A pergunta da vida, a tomada de coragem, é o como.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Do que eu entendi do que ele disse


A tarefa é das mais ingratas: do que eu entendi do que Guimarães Rosa disse. Ok, é só um norte a seguir, mas ainda assim, decifrá-lo não é coisa simples de se fazer. E no meio de neologismos e realismos mágicos, acabamos nos encontrando. Podemos dizer que moramos ao seu lado, mas não na mesma casa. Somos vizinhos de um sertão gigante e sem limites imagináveis. E aos poucos vamos nos despindo do Amor, que nos seguia até então e entramos endurecidos e sem jeito num terreno nunca antes trilhado pos nossos pés tão pouco calejados. Nós, seres cosmopolitas que nada entendem da sinceridade do sertão, chegamos cheios de estereótipos.

As cenas foram surgindo, o fantástico comendo pelas beiradas. E naturalmente vem a sensação de que deve ter música própria, figurino especial, ousadias simplórias e BAM! Um começo de enredo surgido de uma cena. E de repente a calmaria invade a Insanidade.

Os cânticos populares desenferrujam as nossas gargantas ralas. A correria dá lugar aos gestos curtos. As cenas caóticas começam a ser descartadas para dar lugar à vastidão. Estamos no começo da estrada de nosso novo trabalho. Ainda falta muito caminho a trilhar, pés para calejar, água pra secar, mas estamos começando a entender. Nos deseje sorte.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Falando na TV

Em julho de 2006, antes de uma apresentação do espetáculo Amores Dissecados na Universidade Metodista de São Paulo, o Teatro Insano concedeu uma entrevista de quase uma hora para o programa Circuito Cultural, do canal local da Vivax.

Falamos sobre as apresentações, o conceito do espetáculo, de onde surgiram as idéias para as cenas, além de apresentar algumas delas em um esquema meio de improviso. O resultado ficou meio estranho (não tínhamos idéia de como era o formato do programa, e os entrevistadores aparentemente também não), mas é muito legal assistir novamente. Abaixo você vê um trecho.

Participaram da entrevista Alberto Cataldi, Fernanda Tsuji, Bianca Andrejauskas (que não está mais no grupo), Ricardo Schers, Valmir Júnior e Kéroly Gritti (escondidinha atrás do apresentador). Recordar é viver.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Amores Dissecados no Satyros

De 2 de junho à 29 de julho estaremos apresentando o espetáculo Amores Dissecados em São Paulo pela primeira vez. E qual lugar irá abrigar nossa querida peça? O Espaço dos Satyos Dois, é claro.

Vamos ocupar o teatro durante dois meses, no horário nobre, para contar e recontar essas histórias de amor que já emocionam tantos há mais de um ano. Quem ainda não viu vai ter a oportunidade de conhecer o trabalho em um lugar apropriadíssimo. Aqueles que já viram poderam conferir a apresentação neste novo espaço, além de ver todas as novidades que andamos aprondando para a peça nos últimos meses.

O serviço é o seguinte:

O que: "Amores Dissecados"

Quando: 02 de junho à 29 de julho - Sábados às 21h e Domingos às 20h30

Onde: Espaço dos Satyros Dois

Endereço: Praça Roosevelt, 124 - São Paulo - SP

Ingresso: R$ 20 (R$ 10 meia)

Lugares limitados!

Informações: (11) 3258-6345

Para saber mais da nossa agenda, dê um pulo no nosso site oficial. Qualquer novidade que surgir será colocada aqui no blog, também.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Site novo

Todo o trabalho está rendendo frutos.

Agora o Teatro Insano tem um domínio oficial. Você pode acessar nosso site pelo endereço www.teatroinsano.com. Coloque em seus favoritos.

O nosso blog (este mesmo que você lê) pode ser acessado em blog.teatroinsano.com. E o fotolog passa para o endereço fotolog.teatroinsano.com.

Muitas outras novidades em breve.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Motocontínuo

É um recomeço. Porque já tínhamos um blog, que nos servia muito bem, mas não era mais o suficiente. E decidimos começar uma coisa nova. Nova para nós e para você, leitor.

Esperamos que goste do nosso novo espaço. O Motocontínuo. O nome é inspirado em uma máquina mítica: a máquina de movimento contínuo. Ela desafia a ciência, sendo capaz de produzir a energia que consome. Superando as limitações físicas, pode funcionar para sempre, independente de ajuda externa. E se a ciência não é capaz disso, bem, quem sabe a arte não consiga?

Aqui você vai encontrar não apenas informações sobre o Teatro Insano, mas também sobre arte, cultura e entretenimento em geral. E, lembre-se sempre, o blog não é só nosso. É seu, também. Opine, escreva, comente, interfira. Crie com a gente. A Internet é uma maravilha, mesmo.

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Moto contínuo (wikipédia)
Teatro Insano