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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

BBBABY

Às vezes surge uma bizarrice na tv americana, que repercute bastante por lá, mas aqui vira apenas notinha de curiosidade. Uma delas é o reality show Kid Nation, que começou em setembro. Semana passada lembrei dele e fui atrás. A premissa é utópica: as crianças realmente podem construir uma sociedade mais perfeita? A CBS, rede que produziu o programa em parceria com a produtora Good Tv Inc., levou a máxima as últimas consequências.

Enfiaram 40 crianças americanas, de 8 a 15 anos, por 40 dias em uma cidade–fantasma, situada em Bonanza, no Novo México. Lá, os pirralhos montaram uma "sociedade" com algum nível de hierarquia (algo como uma releitura de O senhor das Moscas, mas bem menos cruel) e trabalharam duro para mantê-la. Uma das tarefas mais conturbadas, foi decidir se matariam ou não uma galinha (que sim, acabou canja). Foi o único capítulo que eu assisti.


Os críticos caíram matando, chegando a acusar a produção de trabalho escravo infantil – porque as crianças trabalhavam 14 horas por dia. Dizem até, que a escolha de Novo México não foi ao acaso, já que é o estado com leis trabalhistas mais flexíveis. E há também a vertente que acusa o programa de manipulação, alegando que os pequenos seguiam um roteiro pré-estabelecido. E qual reality show não segue? Pior foi quando um dos moleques queimou a cara enquanto cozinhava e outros quatro tomaram alvejante. Imagina o bafafá!

Os pais encararam como um "acampamento de verão com câmeras". E claro, com prêmio em dinheiro. Divididos em quatro equipes, cada um recebeu 5000 dólares por participação e no final do episódio, uma criança é eleita pelos outros para ganhar uma estrelinha equivalente a 20 mil dólares. Ah! E eles tinham liberdade para abandonar o programa se assim quisessem e muitos preferiram. Façam o barulho que fizerem, no fundo não passa de mais um Big Brother. Ou seja, agrada em cheio quem gosta da coisa.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O Circo se arma (novamente)

Eu fico pensando: entra novela, sai novela e é sempre a mesma coisa. As mesmas histórias e coisa e tal. Entrou agora Duas Caras no ar e eu pergunto: qual é a diferença dessa pras outras? Ah, claro. O cenário mudou, tem que ser mais realista porque é gravado em digital. É isso? Porque de resto...

Tem uma pensata na Folha Online, do Sérgio Malbergier, que discute isso. Malbergier fala da longevidade e influência da TV a partir da troca de bastão entre Duas Caras e Paraíso Tropical (com direito a final xoxo). Inclui ainda como exemplo a entrevista de Lima Duarte à FSP, em março de 2006, e eu vou ctrl+c/ctrl+v na fala do Lima:

"É duro fazer novela. Está cada vez mais cansativo. Estão escrevendo a mesma história há 40 anos. Faço o mesmo personagem, e o público chora a mesma lágrima, no mesmo horário. Mas o povo não deixa mudar."
Exatamente, o povo não deixa mudar, mas a TV também não arrisca. São dois problemas. O povo não deixa mudar porque a sociedade brasileira funciona à base de hipocrisia. Quer ver a mocinha, o vilão, porque sabem que na vida normal não é assim, mas é melhor fazer de conta. Vivem metendo o bedelho na vida alheia, então melhor meter o bedelho no fuxico nacional e discutir no outro dia no trabalho ou com a vizinha. Não gosta de ver retratada gente com personalidade dúbia, porque tem que ter um representante do bem e uma personificação do mal. E sai da frente da TV se o programa trazer dramas mais consistentes, porque brasileiro "sofre no dia-a-dia". Já a TV mexe com dinheiro e não é uma arte, é um produto, o que dispensa comentários, já que não vou explicar a sistemática capitalista.

Daí a gente vê essas coisas aí. E Malbergier dá o tom com uma coisa que eu falo há muito tempo:

"A TV Globo orbita em torno do drama das oito. Se a novela vai bem, a emissora vai bem. E, ao contrário das sitcoms semanais que dominam a audiência nos EUA, a telenovela é diária. Enquanto CBS, NBC e ABC têm cinco seriados por semana para cativar o público americano e, com ele, os anunciantes, a Globo só tem um tiro, a novela das oito. Ele tem de ser certeiro, e para isso vale tudo, com pressão enorme sobre seus autores e diretores, boa parte enfartada."
Eu adendo que a CBS, a NBC, a ABC, o Showtime, o CW e outros também se preocupam em trazer novidades e apostar em coisas mais consistentes, por mais que tenhamos sempre as "sitcoms" e suas piadas e os dramecos por filão, tipo "drama familiar", mas ainda assim há coisas pro público pensar, como Desperate Housewives, Lost, 30 Rock, The Sopranos, Dexter, Big Love e os CSIs, enfim...

Fato é: a telenovela tem que mudar. E chamar o público jovem de hoje com coisas mais consistentes do que Malhação e Dance, Dance, Dance. E também pensar em incutir mais inteligência e senso artístico em suas produções e deixar isso transparecer para o público. E não tratá-los como um bando de burros.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Quem matou?

Eu não sei porque essa coisa de "quem matou Barbosa" funciona tanto nas novelas. É formuláico, antiqüado, repetido. Ficou velho por volta do octagésimo livro da Agatha Christie. Ainda assim, quando alguma novela tem a morte misteriosa de algum personagem (nunca protagonista, óbvio) começa essa busca incessante pelo culpado.

Eu não vejo paralelo. Nas histórias de Christie, ou mesmo nos filmes adolescentes tipo Pânico, a graça que prende a atenção é o suspense de, por não saber quem mata, não saber quem será o próximo a morrer, por qual razão e quando. Nas novelas brazucas, mata-se um, é o que vale pra criar a dúvida que se mantém até o fim.

Aliás, frisando, suspense e dúvida são coisas completamente diferentes.

Mesmo quando morrem vários, tipo A Próxima Vítima, os personagens despencam como peças de carne no frigorífico. Não há pistas reais ou um sentimento das mortes. Apenas o fim pra levantar novamente a pergunta fatídica. "Quem matou?".

Não sei quem descobriu a fórmula, muito menos quem descobriu que podia usá-la sem fazer o menor esforço e menos ainda quem decidiu começar a copiá-la à exaustão, mas o que me intriga mesmo é porque todo brasileiro age como se fosse um dever cívico tratar um assunto assim como relevante.

Cada vez que alguém fala, "ah, quem será que foi?", eu borbulho um pouquinho por dentro.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Caminhos Tropicais

Hoje estreou Caminhos do Coração, da Rede Record, com a promessa de ser uma novela diferente das outras, por trazer como mote jovens mutantes a la X-Men ou Heroes. Bem, tenho ressalvas. Acabei de assistir. Estava curioso. E o que vi mostra um pouco dos problemas que toda telenovela brasileira tem.

A abertura é uma cópia descarada do filme X-Men. Tudo bem, vai. Damos um desconto. Daí vem o problema de explicar tudinho. No primeiro capítulo sabemos que a tal clínica Progênese é a que deu início à mutação de todos os jovens e há até algumas famílias que encaram normalmente o filho enxergar como uma águia ou ler pensamentos. Angelina Muniz chegou a soltar um "Ai, meu filho, você sempre lê os pensamentos de todo mundo". Nada normal, não? Como assim? Foram constrangedoras essas situações... E pra quê explicar tudinho? Porque o público é burro? Vai parar de assistir a novela se não explicar como os jovens chegaram ao estado de mutantes? Nas entrelinhas, é o que eles acham. O didatismo deve aparecer, senão o IBOPE debanda. Besteira.

Por enquanto, nenhum conflito estabelecido, mas só a apresentação dos personagens. Alguns efeitos muito bons para o padrão da TV brasileira, como a corrida "a la Flash" do menino Aquiles, mas outros um pouco ruins como o menino Vavá, que pula de um lugar para outro sem fluidez, como que alçado por um arame que foi depois apagado com computação gráfica. Vamos ver o que a Record nos reserva em termos de efeito especiais, me parece promissor (se melhorarem), mas o que se diz sobre a história? Vai seguir o mesmo esquema de telenovelas, como sempre. Vilões, bonzinhos, cômicos, bem contra o mal, coisas assim. Falo mais de Caminhos do Coração quando tiver mais. Mas criou um comichão para ver o que está por vir. Record, vamos fazer uma novela diferente, vamos? Não só pegar um tema diferente, mas fazer diferente, vamos? Vocês têm como. E têm iniciativa. Coisa que a novela da concorrente não tem.

Falo de Paraíso Tropical, da Rede Globo, que vem sendo aclamada como uma novela que há muito tempo não se via na TV, com uma história (dizem) inventiva que se afasta do tom folhetinesco de sempre. Eu não concordo. Que Gilberto Braga criou uma novela interessante, pode-se até dizer, mas daí a afirmar que é um produto novelesco de qualidade e "catiguria", que estabelece bases para uma nova teledramaturgia no país e blá-blá-blá, eu sou OBRIGADO a discordar. O que Paraíso Tropical fez: introduziu alguns pequenos pitacos nas mocinhas e nos vilões, um cheirinho de imoralidade e uma pitadinha de subversão nas personagens, transformando-as em criações um tonzinho só mais complexas. E logicamente que a Globo fez isso depois de descobrir, via pesquisa com suas fiéis donas-de-casa (provavelmente desesperadas), que ver a mocinha(o) passiva(o) não dava IBOPE.

Tá bom, e a maldita história de amor? Está lá. Vide Paula e Fábio Assunção, digo, Daniel. E os vilões? Olavo, Marion, Taís, Bebel, Jáder... Tá. E o núcleo cômico? Lá também, vide Marco Ricca, Isabella Garcia e a síndica. E o núcleo de apelo jovem? Gustavo Leão, Paulo Vilhena, Patrícia Werneck e co-co-co-"estrelas"... O casal fica junto no final? Lógico. Com direito a casamento e bebê. Quem matou a gêmea Paula, digo, Taís? Nada demais. Deve ser a Marion, o Bruno Gagl-, digo Ivan, ou o vilãosíssimo Olavo.

Então, o que precisam essas novelas? Precisam esquecer dos maniqueísmos de vez. Esquecer, limpar, excluir. Botão DELETE, por favor. Criar histórias um pouco mais interessantes e que visem, de verdade, falar da interioridade humana, de versar sobre as relações sem esse tom melodramático. Transformar as novelas em dramas. Explorar enredos que não se coloquem somente à margem do IBOPE. Não deu IBOPE? Encurte e tire do ar, assim como as séries norte-americanas. Aliás, seguindo o exemplo ianque também, fazer temporadas é uma boa. Nada de seis meses de enrolação. Isso é um começo. Difícil, né? As donas-de-casa podem não gostar. Pena que as emissoras ainda não perceberam que falam mais com um público que quer ver coisa nova e que esse é o público "dona-de-casa" de amanhã. Pena.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Eles estão entre nós

Você já deve ter ouvido falar que a próxima novela das dez da Record terá mutantes. Sim, sim, Heroes e X-Men viraram mote para uma novela, quem diria - se você não sabia, deve estar pasme. Tiago Santiago, o autor, jura que não, que sua trama vai além, mas eu vejo aí um oportunismo. Nada de mais, mesmo, afinal boas idéias podem nascer de inspiração vinda de outras. E Heroes faz sucesso, sabemos. A teledramaturgia brasileira não parece dar conta de passar com competência histórias que envolvam o fantástico.


A não ser que vire "causo", como foi o lobisomem de Roque Santeiro (1985) ou apele para o trash como foi Vamp (1991). Mas dessa vez, eu dou meu voto de fé para a Record. Além de ser ótimo ter competição e quebrar a hegemonia da Globo, acredito que a novela não vai descambar. Afinal, eles estão investindo pesado no folhetim. Compraram equipamentos de última e contrataram novos atores. Aliás, esse é o ponto que eu queria chegar.

Sem dar ponto sem nó, a emissora do Bispo Edir Macedo chamou ninguém menos que Lance Henriksen para fazer uma ponta, como um médico que estuta os mutantes brasileiros. Ah, você não se lembra dele? Pois bem, ele fez a renomada série Millenium e também foi ciborguew Bishop nos filmes da série Alien, além de estrelar outros 140 filmes. Os fãs de ficção científica, sobrenaturais e afins adoram o homem. Ou seja, se virem a carinha de seu ídolo ali na novela nova com certeza ficarão no mínimo curiosos para saber porquê o velho Henriksen topou participar de uma produção brazuca.

Enfim, a trama conta, entre outras histórias rocambolescas, o drama de crianças que nasceram numa clínica de fertilização e foram alvo de um tal Projeto DNA, que misturou genes animais em humanos. Mutantes amargurados....será que emplaca? Pode ser a maior bomba, como também pode ser uma mudança nas novelas. Qualidade tem, enredo mais ousado também...agora é a hora! Veremos, veremos....

Dia 28, dá uma conferida lá.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Troca-troca

Agora que a concorrência está se mostrando acirrada, a ex-toda-poderosa Rede Globo começa a mexer no time. Com os elencos ficando disputados, autor reservando atores e atrizes para lá e para cá, a Record querendo abocanhar o pessoal, e as "celebridades" chamadoras de audiência se revezendo num empurra-empurra pra vem quem consegue ficar mais do que cinco minutos em exposição, os teledramaturgos estão enxugando suas histórias. Enxugando num sentido literal.


Em Páginas da Vida, Manoel Carlos se embananou todo pra se virar com tanta personagem colocada na história e sem função. Agora, em Paraíso Tropical, foi uma estratégia de Gilberto Braga em "liberar" os histriões para outros produtos da casa. Logo no início, Ísis Valverde, a Thelma, morreu caindo de uma passarela na Lapa. Liberada. Depois, Júlio Rocha, em participação especial, deu uma de chefe e logo depois entrou em Pé na Jaca.

Agora, Reneé de Vielmond (a tal Ana Luísa Cavalcanti) e Rodrigo Veronese (o par romântico dela) é que estão dando adeus. Ainda saem Maria Fernanda Cândido (que ficou sem função na trama depois que Reneé descobriu seu caso com Tony, digo, Antenor Cavalcanti), Othon Bastos (que vai morrer depois que descobrir que a neta má lhe roubou) e Sérgio Marone (que vai preso). Quem mais vai sair?

A circulação tem que ocorrer. As saídas de uma trama para outra estão corridas. Frenéticas quase. E nessas quem se der bem, se deu. Quem não se deu. Sorry. Sinal dos tempos. A Globo precisa renovar o elenco e ainda está engatinhando. Ainda investe nos modeletes, mas já está abrindo os olhos e vendo que modeletes não seguram as tramas. Sorte de pessoas como Marcelo Médici, ex-Fládson de Belíssima e que agora estréia em Os Sete Pecados, mais um do Walcyr Carrasco...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Whose Line Is It Anyway?

Antes de voar para os ensaios do Insano ao sábados, eu almoço quase sempre assistindo tv. Se dou sorte é 12h em ponto e eu tenho chance de assistir meu programa favorito e talvez aquele que passa mais rápido.
"Whose Line Is It Anyway?" do Sony Entertainment Television é um programa de humor baseado na improvisação seguindo propostas da platéia e de Drew Carey (do "The Drew Carey Show") que comanda os amigos Colin Mochrie, Ryan Stiles e Wayne Brady e mais um convidado a cada show.

As propostas são as mais inimagináveis possíveis que vão de fazer uma letra para uma melodia improvisada pela banda à jogos de improvisação usando objetos estranhos (espumas coloridas cortadas em formatos aleatórios) que é a minha parte favorita.

Os jogos podem ser de dupla, individual ou com todos, Drew elege um vencedor e lhe dá pontos abstratos. O vencedor no final ganha alguns minutos sentado no lugar de Drew comandando sua campainha que finaliza cada performasse ou prolonga a mesma.

É como uma brincadeira de teatro de tão natural e, interagindo com a platéia, a criatividade dos comediantes rola solta, as risadas também e o programa parece durar menos de dez minutos.

terça-feira, 24 de abril de 2007

A trilha sonora

Atualmente, as novelas brasileiras são compostas por canções de artistas convidados vendáveis, que podem ser facilmente tocados nas rádios. Na novela Páginas da Vida, anterior à atual Paraíso Tropical, o hit de Corinne Bailey Rae - Put Your Records On - foi tocado à exaustão.

Em geral, as trilhas servem de tema para determinados personagens. Quando eles aparecem em cena, toca a canção. Outra utilidade é a de junção. Para juntar cenas e pontuar lugares, deixando o espectador ciente de que a próxima cena mudará de lugar, paisagens aparecem, ultimamente o Rio, e o tema do personagem toca.

O problema é que o limite disso é mais do que ultrapassado. Não há trilha sonora na novela brasileira. Há canções de artistas variados que servem ao propósito comercial apenas. A idéia de junção e de tema, na verdade, é o melhor caminho para colar as músicas na cabeça do telespectador, que logo deixa as músicas tamborilarem em sua mente e, conseqüentemente, acaba comprando o CD da novela. Artisticamente falando, é um recurso pobre. Na verdade, um recurso de valor artístico algum. O editor das cenas de telenovelas da Globo (e agora da Record - não citaremos o SBT, pela qualidade) deve seguir uma cartilha elaborada 50 anos atrás.

Já nos Estados Unidos, por exemplo, o soundtrack (cuja tradução perfeita seria exatamente "trilha sonora") engloba composições especiais para suas séries, canções de terceiros e efeitos sonoros até. O que não quer dizer que possam ser utilizadas levianamente. Um exemplo interessante de como uma soundtrack pode ser artística é a do seriado Lost. Preste atenção na primeira coisa: há um compositor. O nome dele é Michael Giacchino. Ele compõe a trilha incidental do seriado, que pode ser recorrente dentro de seus temas, mas busca variações, sutilezas e muitas vezes serve aos propósitos dramáticos da série. Existe também um conceito. Giacchino busca violinos distorcidos e pianos graves para intensificar, pontuar, digredir, aliviar... Tudo casa com o mote da série: as pessoas estão perdidas literalmente e figurativamente e a trilha serve de base para que o espectador se situe no mesmo pé em que as personagens.

Agora, veja como é uma questão de conceituação: as canções de terceiros, quando existem nesse tipo de série norte-americana, são tocadas de forma que sejam inseridas dentro da série organicamente ou então pontuando um momento bonito ou enlevador, ou até mesmo como tema, mas não utilizadas exaustivamente.

Um outro ponto problemático é o ressaltamento de situações. Perceba: na novela Pé na Jaca, quando os personagens Lance (Marcos Pasquim) e Guinevere (Juliana Paes) "puxam" a dor de outras pessoas para si mesmos, a trilha que entra é a mesma utilizada para as aparições do fantasma de Nanda (Fernanda Vasconcelos) em Páginas da Vida. Ou seja, de uma novela para outra, a Rede Globo utiliza a mesma trilha para ressaltar situações similares (no caso, fatos considerados extraordinários). Perceba também em situações de humor, geralmente nas novelas de Sílvio de Abreu, quais são as trilhas utilizadas.

Finalmente, além de trilhas "situacionais" iguais de novela para novela e a trilha sonora puramente comercial, o coroamento se dá pelas novas trilhas "situacionais" que aparecem de vez em quando: na novela O Profeta, quando algum acontecimento grandioso acontece, um coral canta, a la O Fortuna, do espetáculo Carmina Burana, num clichê inequiparável e, de certa forma, brega. Combina com a(s) novela(s).

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Homem-Urso

O Discovery Chanel está exibindo durante este mês o documentário O Homem-Urso. Um dos melhores filmes de 2005, do brilhante diretor alemão Werner Herzog. Já escrevi um bocado sobre ele em outro lugar, há bastante tempo, mas minha admiração me impede de deixar só por isso.

O Homem-Urso revela Timothy Treadwell, que viveu 13 verões de sua vida junto aos ursos grisalhos do Alasca, protegendo-os de caçadores. Só que os animais viviam em uma reserva, longe de perigo. O que levava Timothy até lá? Quem era ele? Estas são as perguntas que movem diretor e espectador. A exibição já começa com uma informação fundamental: Treadwell morreu junto de sua namorada, atacado por um dos ursos. Deixou mais de 100 horas gravadas de seus incontáveis dias com os ursos e o material é mostrado durante todo o documentário.

O filme é fascinante e merece atenção (persistente, pois o Discovery capitalizou colocando um intervalo comercial a cada 10 minutos das 2 horas de exibição). Procure por ele na grade de programação ou, se puder (melhor ainda), alugue em DVD. O canal ainda traz um "extra": O Diário do Homem-Urso, programa que explora mais material de Treadwell e entrevistas com Herzog.

"Descobri um filme sobre o êxtase humano e o mais sombrio tumulto interior. Como se houvesse nele um desejo de abandonar a prisão de sua humanidade para se ligar aos ursos. Treadwell conseguiu, ao buscar esse encontro primordial. Mas ao fazê-lo, ele atravessou uma fronteira invisível" - Herzog

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Trailer do filme

domingo, 18 de março de 2007

Quem quer ser artista?

Eu estava em casa no domingo à noite, logo depois da vitória do meu Corinthians, que não está sendo algo muito freqüente, infelizmente. Enfim, eu estava feliz.

No entanto, resolvi entrar na internet e logo na página inicial eu vejo uma notícia: “BBB7: Íris e Flávia podem virar atrizes da Globo.” Eu juro que não estou mentindo, pois veja.

Não quero discutir se estar na Globo é bom ou ruim, se o Big Brother Brasil é interessante ou não, eu apenas quero levantar perguntas. Que são basicamente duas, pois quero ser breve neste post. E as perguntas são:

1. O que torna uma pessoa de fato um artista?

2. Se eu fosse uma “celebridade” e quisesse me tornar neurocirurgião, seria me oferecida uma vaga num hospital e uma cirurgia para eu realizar?

Eu não quero neste momento e neste post entrar em questões profundas, mas quem quiser pode mandar o e-mail que eu entro em contato e a gente discute.

É só um desabafo. Desculpa se é inadequado, mas eu precisava escrever sobre isso, pois eu sou ator, iluminador e psicólogo porque eu estudei, estudo, trabalho, amo, e mais uma série de outras coisas que me tornaram o profissional que eu sou.

E é uma agressão, um insulto, dói muito na minha alma e no meu corpo ver que pessoas são anunciadas ou se anunciam atores sem nunca terem lido Shakespeare ou Sófocles e nunca terem exercitado o corpo cenicamente, e vou ficar só nesses exemplos para me ater apenas na profissão de artista e não falar das outras.

Existe a técnica e o talento, mas uma pessoa nunca será artista se não possuir as duas coisas. E para isso é necessária formação, que é constante e trata da alma e do corpo.

Enfim... é só um desabafo, talvez confuso e sem muitos desdobramentos.