quarta-feira, 25 de abril de 2007

Lugar-comum

A geração de novos autores me dá dor no pâncreas. São sempre os mesmos, mesmo quando não são. E a literatura continua ruim. A nova agora é filha do falecido Dias Gomes, autor de ótimas novelas (sim, elas já existiram) como Saramandaia e grandes roteiros, como O Pagador de Promessas.

Mayra Dias Gomes, de 19 anos, escreveu Fugulaça, romance semi-biográfico regado a sexo, drogas e rock'n'Roll. Supostamente, ela passou por uma fase conturbada na vida, quando sofreu muito, andou com pessoas ruins, sentiu-se solitária e fez escolhas erradas. Alguém avise a garota que isso é comum e tem nome: adolescência. Um trecho da obra:

"Ele me pegou com vigor pelos braços e me jogou na cama. Eu tentei me levantar mas ele me empurrou novamente, colocando a mão nos meus seios. Olhei pro teto e vi as estrelinhas que brilham no escuro grudadas. Eu costumava fazer pedidos a elas com espírito de criança intocada que não conhece o mundo."
Por favor, façam eles pararem!... E eu que achava que o fundo do poço da literatura nacional atendia pelo sobrenome Young. Era só o começo...

Window In The Skies

Não é a maior novidade do momento. A novidade fica por conta da dupla Sandy e Junior que anunciou se separar e sua noticia repercutiu mais do que Los Hermanos entrando em recesso. Mas música boa é música boa. E banda antiga que já tem respeito, merece atenção.

Porque uma música nova do U2, para um fã, é o suficiente pra imaginar um próximo show.

terça-feira, 24 de abril de 2007

A trilha sonora

Atualmente, as novelas brasileiras são compostas por canções de artistas convidados vendáveis, que podem ser facilmente tocados nas rádios. Na novela Páginas da Vida, anterior à atual Paraíso Tropical, o hit de Corinne Bailey Rae - Put Your Records On - foi tocado à exaustão.

Em geral, as trilhas servem de tema para determinados personagens. Quando eles aparecem em cena, toca a canção. Outra utilidade é a de junção. Para juntar cenas e pontuar lugares, deixando o espectador ciente de que a próxima cena mudará de lugar, paisagens aparecem, ultimamente o Rio, e o tema do personagem toca.

O problema é que o limite disso é mais do que ultrapassado. Não há trilha sonora na novela brasileira. Há canções de artistas variados que servem ao propósito comercial apenas. A idéia de junção e de tema, na verdade, é o melhor caminho para colar as músicas na cabeça do telespectador, que logo deixa as músicas tamborilarem em sua mente e, conseqüentemente, acaba comprando o CD da novela. Artisticamente falando, é um recurso pobre. Na verdade, um recurso de valor artístico algum. O editor das cenas de telenovelas da Globo (e agora da Record - não citaremos o SBT, pela qualidade) deve seguir uma cartilha elaborada 50 anos atrás.

Já nos Estados Unidos, por exemplo, o soundtrack (cuja tradução perfeita seria exatamente "trilha sonora") engloba composições especiais para suas séries, canções de terceiros e efeitos sonoros até. O que não quer dizer que possam ser utilizadas levianamente. Um exemplo interessante de como uma soundtrack pode ser artística é a do seriado Lost. Preste atenção na primeira coisa: há um compositor. O nome dele é Michael Giacchino. Ele compõe a trilha incidental do seriado, que pode ser recorrente dentro de seus temas, mas busca variações, sutilezas e muitas vezes serve aos propósitos dramáticos da série. Existe também um conceito. Giacchino busca violinos distorcidos e pianos graves para intensificar, pontuar, digredir, aliviar... Tudo casa com o mote da série: as pessoas estão perdidas literalmente e figurativamente e a trilha serve de base para que o espectador se situe no mesmo pé em que as personagens.

Agora, veja como é uma questão de conceituação: as canções de terceiros, quando existem nesse tipo de série norte-americana, são tocadas de forma que sejam inseridas dentro da série organicamente ou então pontuando um momento bonito ou enlevador, ou até mesmo como tema, mas não utilizadas exaustivamente.

Um outro ponto problemático é o ressaltamento de situações. Perceba: na novela Pé na Jaca, quando os personagens Lance (Marcos Pasquim) e Guinevere (Juliana Paes) "puxam" a dor de outras pessoas para si mesmos, a trilha que entra é a mesma utilizada para as aparições do fantasma de Nanda (Fernanda Vasconcelos) em Páginas da Vida. Ou seja, de uma novela para outra, a Rede Globo utiliza a mesma trilha para ressaltar situações similares (no caso, fatos considerados extraordinários). Perceba também em situações de humor, geralmente nas novelas de Sílvio de Abreu, quais são as trilhas utilizadas.

Finalmente, além de trilhas "situacionais" iguais de novela para novela e a trilha sonora puramente comercial, o coroamento se dá pelas novas trilhas "situacionais" que aparecem de vez em quando: na novela O Profeta, quando algum acontecimento grandioso acontece, um coral canta, a la O Fortuna, do espetáculo Carmina Burana, num clichê inequiparável e, de certa forma, brega. Combina com a(s) novela(s).

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Falando na TV

Em julho de 2006, antes de uma apresentação do espetáculo Amores Dissecados na Universidade Metodista de São Paulo, o Teatro Insano concedeu uma entrevista de quase uma hora para o programa Circuito Cultural, do canal local da Vivax.

Falamos sobre as apresentações, o conceito do espetáculo, de onde surgiram as idéias para as cenas, além de apresentar algumas delas em um esquema meio de improviso. O resultado ficou meio estranho (não tínhamos idéia de como era o formato do programa, e os entrevistadores aparentemente também não), mas é muito legal assistir novamente. Abaixo você vê um trecho.

Participaram da entrevista Alberto Cataldi, Fernanda Tsuji, Bianca Andrejauskas (que não está mais no grupo), Ricardo Schers, Valmir Júnior e Kéroly Gritti (escondidinha atrás do apresentador). Recordar é viver.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Homem-Urso

O Discovery Chanel está exibindo durante este mês o documentário O Homem-Urso. Um dos melhores filmes de 2005, do brilhante diretor alemão Werner Herzog. Já escrevi um bocado sobre ele em outro lugar, há bastante tempo, mas minha admiração me impede de deixar só por isso.

O Homem-Urso revela Timothy Treadwell, que viveu 13 verões de sua vida junto aos ursos grisalhos do Alasca, protegendo-os de caçadores. Só que os animais viviam em uma reserva, longe de perigo. O que levava Timothy até lá? Quem era ele? Estas são as perguntas que movem diretor e espectador. A exibição já começa com uma informação fundamental: Treadwell morreu junto de sua namorada, atacado por um dos ursos. Deixou mais de 100 horas gravadas de seus incontáveis dias com os ursos e o material é mostrado durante todo o documentário.

O filme é fascinante e merece atenção (persistente, pois o Discovery capitalizou colocando um intervalo comercial a cada 10 minutos das 2 horas de exibição). Procure por ele na grade de programação ou, se puder (melhor ainda), alugue em DVD. O canal ainda traz um "extra": O Diário do Homem-Urso, programa que explora mais material de Treadwell e entrevistas com Herzog.

"Descobri um filme sobre o êxtase humano e o mais sombrio tumulto interior. Como se houvesse nele um desejo de abandonar a prisão de sua humanidade para se ligar aos ursos. Treadwell conseguiu, ao buscar esse encontro primordial. Mas ao fazê-lo, ele atravessou uma fronteira invisível" - Herzog

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Trailer do filme

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Do viaduto

O que eu faria se encontrasse alguém disposto a se matar?

A pergunta não quis calar depois que eu li uma crônica na revista Piauí, edição do mês de abril. A imagem que ocupa quase duas páginas da revista parece comum ao olhada da primeira vez rapidamente.



O fato é que Tuca Vieira saiu da casa da namorada de madrugada após uma briga, para caminhar. Andou pelo viaduto Dr. Arnaldo (..."de onde um lado vê-se o bairro Pacaembu, parte de Perdizes e parte da Pompéia. Do outro, Pinheiros, o Instituto Goethe e o muro do cemitério São Paulo"...) quando viu um homem que parecia querer pular de lá, daquele viaduto.

Ao longo da descrição da cena você sente uma desespero. Claramente que se acontecesse isso, o que quer que fosse dito para o sujeito poderia ser perigoso e como um estopim para o sujeito concluir o que veio fazer. E como fazer alguém que você nunca viu na vida entender que ela vale a pena? Será que dá, que cabe a esse encontro tentar mudar a perspectiva de vida de alguém que parece que já decidiu-se sem perspectiva? Lógico que qualquer um tentaria.

A imagem, que menor deixa mais evidente o que há de esquisito, foi tirada logo após o suicídio. Frieza de Tuca? Provavelmente para alguns e talvez até para ele que lamentou ter respeitado a vontade de tal cidadão de ficar sozinho. Quando Tuca virou de novo, ele já tinha se jogado.

Eu juro que vi

Um em cada dez ingleses mentem sobre os filmes que viram. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Times, é normal que, durante alguma conversa casual, pessoas finjam ter assistido a O Poderoso Chefão, Apocalypse Now ou A Lista de Schindler. Na verdade, eles realmente gostam é do rebolado de Patrick Swayze em Dirty Dancing, da cena do jarro em Ghost e das canções de A Noviça Rebelde.

Aliás, é de se esperar que isso não seja coisa só de inglês. A pesquisa também aponta que eles se referem à títulos conhecidos para se gabar na hora do cafezinho. Os favoritos são Um Sonho de Liberdade, À Espera de Um Milagre e O Senhor dos Anéis. Os rankings são os seguintes:

As pessoas mentem terem visto:

  1. A Lista de Schindler
  2. O código Da Vinci
  3. O Poderoso Chefão
  4. Apocalipse Now
  5. ...E O Vento Levou
Eles gostam, mas não admitem:
  1. A Noviça Rebelde
  2. Ghost
  3. Dirty Dancing
  4. Simplesmente Amor
  5. Harry Potter
Filmes para se gabar:
  1. Um Sonho de Liberdade
  2. À Espera de Um Milagre
  3. O Senhor dos Anéis
  4. O Poderoso Chefão
  5. 007 - Cassino Royale
Não me falta vergonha na cara para admitir que adoro muita porcaria, com O Vingador Tóxico encabeçando a lista.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Time daqui, time de lá

Panelinha é uma coisa feia. Na escola já sofríamos com isso, na faculdade era quase ridículo, no trabalho sempre existiu. Mas quando a coisa toma rumos gigantescos e envolve R$ 1,2 milhão, aí você começa a se questionar de verdade.

O assunto já está rodando há algum tempo. Tudo começou com uma idéia chamada Amores Expressos. Nela, 16 escritores brasileiros iriam (COM TUDO PAGO) para dezesseis diferentes países atrás de uma boa história de amor. Na volta, os digníssimos escreveriam sua historieta, a Cia. Das Letras publicaria e quiçá, os contos renderiam um filme. Tava na cara que ia dar polêmica. Os escolhidos eram todos amigos. "Os critérios de seleção foram de afinidade literária, interesse editorial e química com as cidades de destino", declarou à Folha João Paulo Cuenca, escritor carioca que organizou a festa e fez a listinha dos convidados vips: Antônio Prata (Xangai), Daniel Galera (Buenos Aires), Chico Mattoso (Havana), Lourenço Mutarelli (Nova York), Antonia Pellegrino (Bombaim), Bernardo Carvalho (São Petersburgo), Marçal Aquino (Roma) e Sérgio Sant’Anna (Praga), só para citar os mais famosos. Ou para quem gosta dos escritos brasileiros contemporâneos, é a turminha de sempre.

Eles são bons? São. Eles precisam viajar para escrever um romance? Não, necessariamente.

E para agravar, os escritores que ficaram de fora da boquinha resolveram abrir o maior berreiro, movido à dor mais sincera do ser humano: dor de cotovelo. Em entrevista na Folha de S.Paulo, os dois lados se bombardearam de acusações e todas me pareceram extremamente dissimuladas. Porque no fundo, no fundo, é a mesma situação da panelinha da escola. Quem tá dentro se acha especial, quem está fora se acha um merda. Simples assim.

E fico tristonha com isso. Porque são escritores que eu realmente gostava. O povinho que começou escrevendo em blog, se esforçando para publicar livros, dando um sopro de modernidade na literatura. Decepciona, porque no fundo, são um bando de filhinhos de papai, que bem poderiam ter pego o dinheiro do bolso e ido viajar o mundo em busca de vivências extraordinárias, não precisavam meter a mão no dinheiro público (esclarecidamente captado pela Lei Rouanet).

E aí, no exterior, você vê um fantástico Jonathan Safran Foer. Com dois livros extremamente ricos e inovadores, você se pergunta se ele precisou de toda essa parafernália para ter uma idéia que realmente modificou a cena literária atual. Tá certo, não podemos ficar comparando, mas também não te soa um tanto mesquinho? Nós realmente não mudamos, crescemos mas continuamos as mesmas crianças pirracentas de sempre.


Sei, essa é uma notícia atrasada, mas é que só agora, fiquei sabendo por fontes, que o primeiro lote de escritores "expressos" já embarcou para seus destinos glamourosos.

Ê, a vida é boa, né, gente?

* Detalhe, que eu estou lendo O Sol se Põe em São Paulo, exatamente do "enturmado" Bernardo Carvalho.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Coelhinhos tarados e dançantes

Sim, são coelhinhos as estrelas do novo vídeo do Groove Armada, o single Get Down, parte do novo albúm do duo - Soundboy Rock - que será lançado no dia 7 de Maio. O álbum sai em edição limitada com 2 faixas bônus, somente para os gringos, claro. Soundboy Rock foi gravado dentro da rota Londres-Barcelona com a contribuição dos seguintes artistas: Mutya (ex-Sugarbabes), Candi Staton, Alan Donohoe (The Rakes), Simon Lord (Simian), Richard Archer (Hard-Fi), Jeb Loy Nichol, Jack Splash (Plant Life), Jack McManus, Tony Allen, Rhymefest, Stush, Angie Stone e outros.

O Groove Armada é formado por Andy Cato e Tom Findlay. Ingleses da cidade de Cambridge, a dupla cria um funky-house-reggae e melodias voltadas para o pop. Seus singles mais famosos foram I See You Baby, Superstylin' e My Friend (este último foi até trilha de novela da Globo).

Neste CD, o duo investe em um trabalho um pouco diferente: sons mais eletrônicos e funk, demonstrados nas moderníssimas Lightsonic e Song 4 Mutya (Out Of Control), espécie de reggae com Kraftwerk; uma salada eletrônica que deu certo.

Post enviado pelo colaborador André Souza.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Pra rir e aplaudir de pé

São 17 atores em cena. Entram gritando, escandalosos com roupas escandalosas, com conversas escândalos com a platéia e com máscaras. Essa é a melhor parte.

Vem da Comédia Dell'Art a idéia das tais máscaras. Além de máscaras, quase toda comédia, permite muita façanha em cena como acontece no espetáculo: Avaros - um estudo barato sobre a mão de vaquice, da Formação 8, da Escola Livre de Teatro.

O espetáculo é longo, cerca de duas horas. Entrelaça três histórias em épocas diferentes que supostamente se encontram na mesma peça por um equívoco; até os personagens acabam por interromper a cena uns dos outros sem querer (desculpa, óbvia, para mais risadas). O que os atores fazem em cena é o que ganha o público por duas horas de espetáculo. Um vocabulário comum, escrachado, traços corporais exagerados, máscaras em alguns personagens porém, não em todos e no pés de cada ator, um tênis all-star. E muitas graças com a platéia que aceita cada (suposta) gafe de sorriso aberto.

Avaros - um estudo barato sobre a mão-de-vaquice - de Newton Moreno, com direção de Georgette Fadel. Em cartaz aos sábados e domingos, às 21h, no teatro Conchita de Moraes (pça. Rui Barbosa, s/ n - Santo André). Entrada franca.